Contagem regressiva…

fevereiro 5, 2010

 

Eta ansiedade danada. Mesmo tendo já caminhado quilômetros e mais quilômetros, ainda sinto um friozinho na barriga.

Estou indo para Espanha dia 20 de Fevereiro, refazer todo o trajeto dos caminhos Aragonês, Francês, Finisterra e Múxia.

Será um levantamento com detalhes minuciosos assim, o momento único, conjuntamente com o Consulado Espanhol, poderá apresentar aos futuros peregrinos e peregrinos que já fizeram o Caminho, um roteiro com informações mais precisas.

Tenho vários sonhos, projetos, mas desta vez estarei realizando um dos grandes sonhos de minha vida que é ver a neve caindo, tocá-la, sentir tocando o meu rosto, como se fosse um beijo da Mãe Natureza.

Confesso que ando preocupada, agitada, sempre caminhei no verão ou outono, portanto será mais um desafio, porque estarei em altitude de 2700 metros no Valle de Astún, depois, venho descendo para a fronteira de Somport com altitude de 1632 metros de altitude dando inicio a caminhada.

Em meus devaneios, fico imaginando a neve tocando meu rosto, e ao senti-la posso olhar para o infinito e dizer ao Pai que são chuvas delicadas para ornamentar os Pirineus, deixando-os mais belos.

Não há um único floco de neve igual, está também é a maravilha do desconhecido. Milhares e milhares de flocos e nenhum ser igual. Assim são os seres humanos também.

Nesta empreitada estarei entregando meu coração à natureza, quero desfrutar cada pedacinho, depois de seis anos, retorno ao Caminho Aragonês, numa época em que o vento sopra nos bosques, vales fazendo com que a sensação térmica seja mais frio.

Quero abrir minha alma por inteiro, deixá-la voar pelos elevados cumes, descobrir novas montanhas, deitar no gelo e olhar para o céu e sentir-se INTEIRA e não FRAÇÃO.

Quero fazer tudo absolutamente no amor, na verdade, na ausência de julgamentos, servir, ter consciência, escolha, paciência, fé, disciplina, equilíbrio, gratidão, alegria e AMOR INCONDICIONAL.

Ultréya y Suséya.

 


Imagem abaixo na grama.

fevereiro 2, 2010

 Imagem na grama.

Pirineus são cordilheiras no sudoeste da Europa, cujos montes formam uma fronteira entre a França e a Espanha.

A estação de esqui de Astún está situada no Pirineu Aragonês (Espanha), fazendo, fronteira com França, a 30 km de Jaca, capital e comarca de Jacetania.

                            

Caminhava pela estrada de asfalto cantarolando, admirando a beleza daquele lugar, finalmente após caminhar 1 km cheguei ao Parque Nacional de Astún.

Ao chegar o teleférico encontrava-se fechado, resolvi esperar, valeu muito, mas muito mesmo ter esperado pela abertura; só assim pude desfrutar de tantas aventuras e maravilhas.

É uma loucura subir pelo teleférico, tirei uma foto de minha sombra enquanto subia, a imagem fica tão pequenininha que me pus a chorar, pois tudo era absolutamente novo para mim, mágico, lindo.

Ao descer do teleférico, segui a trilha que marcava sobre a grama fresca, ainda úmida pelo orvalho da madrugada.

Deixei que minhas emoções brotassem entreguei-me a Mãe Natureza, permiti ser tocada pelo sol e pelo vento, e admirada com tanta beleza, cheguei ao ponto onde na placa de madeira marcava 2170 m de altura.

Muito longe se via a montanha do Sol. Abri meus braços, gritei, chorei e sentei por alguns instantes. Refletir impossível.

 Caminhar por trilhas entre os Pirineus é algo completamente inexplicável.

 

Resulta precioso aproximar-se do lago de águas verdes-esmeraldas ou lápis-lazúli, e ver seu rosto refletido na água cristalina; releva nossa alma, o vento tocando o rosto, a sensação de paz é inevitável, soltar um suspiro de admiração também.

Quantos suspiros eu dei, quantas lágrimas caíram, quantas emoções movimentaram os meus 100 bilhões de neurônios.                

Eu fui até onde minha razão, sentimento e emoção podiam.

Há a possibilidade de fazer trekking, basta pedir a um monitor o mapa do trajeto, pois há varias trilhas e o perigo de se perder é grande. Só se aventure se tiver certeza de memorizar as trilhas, pois elas são muitas semelhantes.

 


Fronteira entre França e Espanha.

fevereiro 2, 2010

 Fronteira entre França e Espanha.

Ao sair do albergue, fui até a fronteira entre França e  Espanha.

Ventava muito, apesar de ser verão, havia colocado um tac tel, mas sentia frio, assim mesmo continuei andando pois queria tirar uma foto.

Na  fronteira, solicitei ao guarda,  para tirar uma foto muito gentilmente ele pegou a câmara e perguntou:

-Já posso tirar?

-  Coloquei um pé na França o outro na Espanha. Sorri feliz da vida. Pensei quem disse que não   se pode estar em dois lugares ao mesmo tempo.

 O guarda sorriu e disse:

- Pensei que já tinha visto de tudo, tirei centenas fotos de diferentes modos, mas assim era a primeira vez.

Dei um sorriso largo, agradeci dei-lhe um beijo no rosto, foi hilário, o rosto do guarda ruborizou na hora.

Segui pela estrada que leva ao Parque Nacional de Astún.


Caminho Aragonês

fevereiro 1, 2010

 

             CAMINHO ARAGONÊS

“Quem olha para fora sonha. Quem olha para dentro, desperta”.

                                    (Carl Young)

 Os Pirineus são uma cordilheira no sudoeste da Europa cujos montes formam uma fronteira natural entre a França e a Espanha, no Porto de Somport.

 Nosso ponto de partida encontra-se no Pirineu Aragonês, a 1632 m de altitude, descendo pelo vale do rio Aragón.

Distância:

Porto de Somport/Puente de La Reina (Navarra) – 165 km.

 Duração:

Entre 6 a 7 dias de pura magia.

Grau de dificuldade: difícil

 


Caminho Português – 27a Jornada: Pontevedra a Briallos

dezembro 26, 2009


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A caminhada vai lentamente chegando ao fim, e esta etapa, de cerca de 18 km, é sem dúvida uma das mais bonitas. Pontevedra, por si só, já é uma preciosidade. Como o albergue fica na entrada da cidade, temos que atravessá-la por inteiro na saída. Passamos em frente, por óbvio, da Igreja da Virgem Peregrina e da Igreja de São Francisco. Em seguida passamos por ruelas estreitas até chegarmos ao rio. Ali há uma réplica de um marco miliário romano, que foi encontrado numa escavação à beira da ponte. Ou seja, estamos no caminho correto. Atravessamos o rio Lerez pela Ponte do Burgo, que substituiu a ponte romana que deu nome à cidade.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de um breve trecho urbano, paralelo à linha férrea, entramos numa área pantanosa. Logo chegamos ao povoado de Alba, onde há uma antiga igreja e um cemitério. Mais um trecho urbano e passamos pela localidade de San Caetano, junto a uma capela. Em seguida, novamente um trecho, mais longo, de área alagada, junto ao rio Gándara. O trecho, de uns 4 km, é lindo, e sob a trilha, de pedra, corre água. Em alguns pontos a vegetação recobre a trilha, fazendo um túnel. Há outros momentos que o rio forma pequenas lagoas, e o cenário é bem propício para uma parada, para respirar um pouco e esquecer o barulho das cidades.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois deste belo trecho saímos em San Mauro, que me pareceu mais apenas um punhado de casas em torno de um cruzamento de vias. Há um bar ali, que clama por uma parada, já que depois há a única subida da etapa. Para coroar a subida, há um pequeno povoado, o da Portela, e uma bela igreja no alto, cuja torre lembra as de Santiago. Ao lado da igreja há um albergue alternativo, simples e correto, com dezenas de colchonetes. O caminho segue sob asfalto, mas um tanto solitário ainda, e com menos florestas. Por um trecho caminhamos ao lado de uma rodovia e depois de uma trilha florestal saímos numa rodovia, da qual prontamente desviamos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

A região é claramente produtora de vinhos, pois a partir de então só caminhamos entre os vinhedos, formando às vezes túneis de parreiras. Já estamos perto do albergue, no concelho de Briallos. Quando chegamos no povoado de Cruceiro – mais uma vez casas em volta de um cruzamento de vias, damos de cara com uma placa indicando a direção do albergue, que dista 1 km do caminho – mas não me pareceu tanto. O albergue é excelente, e um tanto vazio – normalmente os peregrinos vão direto pra Caldas de Rei, uns 5 km de Briallos, onde não há albergue, mas tradicionalmente indicada em guias. Falta pouco.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Votos de Feliz Natal

dezembro 24, 2009

Eu não sou muito bom em mensagens de fim de ano, portanto ficam aqui meus simples votos de um Feliz Natal e uma boa entrada em 2010 para todos nossos leitores e amigos e suas famílias.

Um bom Caminho em 2010 e um Feliz Ano Santo!

Henrique


Caminho Português – 26a Jornada: Redondela a Pontevedra

dezembro 20, 2009


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Cada vez mais sentimos a aproximação de Santiago. As referências ao caminho estão presentes a todo o momento. É possível sentir a fundo a Galícia, com sua chuva e umidade, além dos trechos florestais. Pena que são curtos, mas pelo menos há aos montes. Esta etapa é também curta – e depois de mais de 3 semanas caminhando, 18 km não assustam muito. Saímos do albergue de Redondela e caminhando pelas ruas estreitas do centro histórico, desviamos alguns metros para passar em frente à Igreja de Santiago, que no momento estava fechada, mas seus sinos trabalhando. Passamos por debaixo de um dos enormes viadutos férreos que marcam a cidade e depois atravessamos a autoestrada para seguir o caminho por ruas mais tranquilas, e sempre próximo da Ría de Vigo. Poucos quilômetros depois do início começa uma leve subida. E logo há uma área de descanso – que parece estar no lugar perfeito, na hora certa. Há uma fonte com vieiras e um belo cruzeiro de Santiago. Deste ponto até Pontesampaio, o próximo vilarejo, o caminho segue por uma trilha no alto, de onde podemos ver a Ría, os povoados pesqueiros, criação de ostras. Um belo presente para começar o dia.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois desse pequeno trecho verde iniciamos uma descida em direção a Arcade e Pontesampaio. Uma pequena caminhada urbana nos leva à ponte Sampaio, construída no final do século XVIII, e palco de uma batalha entre espanhóis e tropas napoleônicas na época da invasão francesa. É um episódio de orgulho, pois os espanhóis conseguiram impediu os invasores. Em seguida, voltamos a subir e passamos por uma trilha entre campos e riachos. Em certos momentos nota-se ainda grandes paralelepídos típicos das calcadas romanas, cujo traçado ainda seguimos. A trilha e a subida são deveras longas.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Ao fim da trilha voltamos a uma caminhada urbana, mas bem tranquila, pois é feita por ruas pouco movimentadas. Logo entramos no perímetro urbano do município de Pontevedra, e após atravessarmos uma autoestrada e passar por debaixo do viaduto férreo encontramos o albergue, mais um muito bem feito e cuidado. No entanto, está longe do centro, o que nao impede uma visita à Igreja da Virgem Peregrina – cujo planta tem forma de vieira -, ao Convento de São Francisco e à Basílica de Santa Maria Maior. No dia seguinte, o peregrino ainda passa pela réplica de um miliário romano que foi achado à base da ponte do Burgo. Não à toa que Pontevedra é considerada a capital do Caminho Português.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Caminho Português – 25a Jornada: O Porriño a Redondela

dezembro 18, 2009


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Nesse dia perdemos nossa manhã graças ao triste episódio do dia anterior, quando sumiu nosso aparelho de GPS. Além de termos procurado em tudo quanto é canto, fui também à prefeitura para fazer com a polícia um boletim de ocorrência. Aparentemente, a polícia de lá é um tanto parecida com a daqui e não mostraram muito empenho em fazer alguma coisa.

Von Caminho de Santiago Português 2009

De todo modo, a etapa até Redondela é de tiro curto, uns 15 km. O sugerido em guias é sair de Valença/Tuí e ir direto a Redondela, o que soma mais de 31 km. Mas para quem não tem pressa… A saída d’O Porriño é como a chegada, pela estrada, em meio a caminhões. Há um e outro desvio, mas eventualmente cruzamos a autoestrada e seguimos em direção a Mos, passando por alguns povoados. Em Mos há um simpático albergue, bem cuidado, cujas chaves estão com a dna. Flora, que cuida do mercado em frente. A igreja de Mos, românica, chama a atenção.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Em Mos há um simpático albergue, bem cuidado, cujas chaves estão com a dna. Flora, que cuida do mercado em frente. A igreja de Mos, românica, chama a atenção. Aqui começa uma leva subida, que apesar de não ser muito forte, é prolongada. Ao menos não estamos mais dividindo o caminho com tráfico. Deste ponto até a entrada de Redondela o trecho é bastante verde e há um e outro cruzeiro ou cruz para indicar o caminho certo.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Ao fim da subida, já podemos ver a Ría (baía) de Vigo, numa esplêndida visão do vale. A descida é tranquila, o cenário ainda é o mesmo, algumas casas, carvalhos antigos, algumas parreiras… É a Galícia. Saímos dessa ambiente e caímos direto na estrada, mas por um pequeno trecho, e entramos na cidade ao lado do Convento de Vilavella. Para chegar ao albergue, basta seguir reto pela avenida em frente, até chegar num largo. O albergue é uma antiga construção reformada e sem dúvida está na lista dos melhores albergues da Galícia. Logo atrás do albergue está a igreja de Santiago.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Caminho Português – 24a Jornada: Valença do Minho a O Porriño

dezembro 7, 2009


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… e o Caminho dá seus últimos passos em terras lusas. Senti um grande aperto no coração, devo admitir, pois já estava acostumado com o ritmo português, e sabia que isso iria mudar, pois a partir de Tuí a peregrinação toma um estilo diferente, imposto pela valorização do caminho feito pela Xunta de Galícia. Nada contra, mas é diferente do caminho em Portugal.


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Saímos do albergue, e ao invés de seguirmos as flechas e caminhar pela avenida dos bombeiros, simplesmente a atravessamos e subimos em direção à fortaleza. Oras, muito provavelmente o caminho seguia por ali, e não pela avenida. Por quê evitar as muralhas? Vimos um lindíssimo alvorecer, do alto das muralhas, a iluminar o rio Minho, fronteira natural entre Portugal e Espanha, com Tuí ao fundo, como se vigiando a fronteira, seu trabalho há séculos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de atravessar a ponte internacional do Minho (antigamente a travessia era por barco) chega-se no casco antigo de Tuí, de ruelas estreitas e ambiente ainda medieval. A catedral lembra uma fortaleza, algo do gênero da igreja de Portomarin. A visita é obrigatória. Seguimos pelas ruelas, até sair da parte antiga. Passamos por mais uma ponte medieval, da Veiga, mas não a atravessamos. Em seguida, uma capelinha, e atrás dela um trecho de asfalto. O caminho segue pela estrada, a beira de uma floresta. Eventualmente entramos nela e chegamos num ponto famoso, a ponte das Febres, onde San Telmo adoeceu quando ia a Santiago (está enterrado na catedral de Tuí). Excelente ponto de descanso. Aliás, é um dos poucos pontos verdes desta etapa.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Passamos por Ribadelouro, onde há diversos cruzeiros para a romaria de Magdalena. Há também os restos de uma ponte medieval. Em seguida, talvez o pior trecho possível para o caminhante. Longos 6 km através de um polígono industrial, que parece interminável. O próprio povoado de O Porriño não é lá muito simpático, pois está esprimido pelas indústrias e rodovias. O albergue fica à esquerda do caminho, atravessando a linha férrea e o rio Louro.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Tivemos aqui nosso pior momento, pois nos foi furtado nosso aparelho de GPS dentro do próprio albergue. Fizemos um boletim de ocorrência na polícia, que não pareceu se importar muito. O albergue é muito bem montado, mas não havia hospitaleiro ali, o que deixa todos os peregrinos à mercê de ladrões. Lamentável. Hoje eu aconselharia ao peregrino ir até Mos, uns 8 km à frente, cujo albergue é mais simpático e é cuidado pelos moradores do pequeno povoado.


Caminho Português – 23a Jornada: Rubiães a Valença do Minho

dezembro 3, 2009


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Esta etapa é relativamente curta, de uns 18 km, com uma subida logo depois de Rubiães, e em seguida, só descenso. Indicamos aqui como parada final a cidade de Valença do Minho, apesar dos guias e muitos peregrinos seguirem adiante alguns quilômetros para já entrar na Espanha e ficar em Tuí. Creio que vale a pena a parada em Valença. Em primeiro lugar, como forma de despedida de tantos dias e quilômetros em terras lusitanas, de tão boa acolhida. Segundo, há um albergue perto de divino, terceiro, há uma cidadela medieval em excelentes condições em plena vida, e quarto, o albergue de Tuí tem maior probabilidade de estar mais cheio, já que muitos começam o caminho português ali.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Mas vamos ao que interessa: ao sair do refúgio pela estrada, logo fazemos um desvio à esquerda para entrar em campos de cultivo. Interessante é que recentemente (creio) a trilha entre os campos foi reformada, e parece muito uma estrada romana, de paralelepídos. Pelo que li em um guia antigo, a trilha tinha grande probabilidade de estar alagada pela proximidade de um rio. Enfim, a estrada rural dá na ponte de Peorado, romana, na foto acima – desculpem pela ruindade da foto, mas a ponte está devidamente escondida pelas árvores. Logo depois da ponte está o café-bar-mercado, que serve muito bem para o pequeno almoço, caso você nao tenha aproveitado a cozinha do albergue. E caso você precise de mantimentos, é ali que você consegue algo (mesmo para o jantar da noite anterior, pois está a 1 km do refúgio). O caminho segue igual, pela antiga rota romana até São Bento da Porta Aberta, passando pelo povoado de Pecene, onde há a capela da Sra. do Alívio.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Na frente da Igreja de São Bento há mais um bar perfeito para um descanso. O caminho segue ao lado da Igreja e descemos por uma trilha florestal. Passamos por ali num domingo, e curiosamente, fizemos nossa descida ao som da missa de domingo, que ecoava no vale, vindo dos altos-falantes da igreja de Fontoura, um pouco à frente. Essa igreja fica no meio do campo, e se a vê de longe. Mas ao caminho está a Capela do Senhor dos Aflitos, em cujo jardim encontra-se uma homenagem a um peregrino ilustre do Caminho Português. Atrás da capela há ainda um cruzeiro antigo de Santiago. Estamos na rota certa.

Von Caminho de Santiago Português 2009

O caminho segue tranquilo por trechos florestais, campos e eventualmente mais uma ponte romana-medieval, mais discreta, em Pedreira. Quando chega uma estrada, sabemos que Valença está logo ali. O bom da etapa – árvores, campos, sombra – acaba aqui, e o final é todo sob asfalto, num calor de rachar. Não há perigo de se perder aqui, está tudo bem sinalizado, e o peregrino atravessa todo o bairro de Arão, passando por duas capelinhas. Só convém ter mais atenção depois de atravessar a ferrovia. Há de se seguir à direita, e depois à esquerda antes do viaduto da mesma ferrovia. As flechas levam o peregrino direto para Tuí, sem passar pela cidadela – um sacrilégio, na minha opinião. Portanto, se você quiser ficar no último albergue português, você deve virar à esquerda na avenida dos Bombeiros, caminhando ao lado das muralhas da fortaleza, até chegar no albergue.

Von Caminho de Santiago Português 2009