Caminho Português – 22a. Jornada: Ponte de Lima a Rubiães

Novembro 21, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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Esta etapa é freqüentemente comparada com a etapa d’O Cebreiro no Caminho Francês, muito porquê possui o ponto mais alto do Caminho Português. Mas, na minha opinião, a comparação fica por aí. A etapa tem uns 19 km, e uns 400 metros de desnível. Porém, a subida é lenta e gradual, e muito bem administrável. Apenas os metros finais são puxados e a subida é extremamente íngreme. E quase toda se passa por trilhas florestais, o que deixa a etapa muito agradável, e uma das melhores e mais recompensante de todo o caminho.

Von Caminho de Santiago Português 2009

A saída de Ponte de Lima é agradabilíssima, já que o peregrino cruza a medieva ponte no amanhecer, num cenário inesquecível. Do outro lado da ponte passamos pela Capela do Anjo da Guarda e da Igreja da Torre, virando depois dessa à direita em busca de um caminho rural que logo segue um riacho. Cruzamos duas autopistas, e passamos pela Quinta do Sabadão, cujo portão é impressionante.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Continuamos o caminho rural até Arcozelo e vamos seguindo pelos campos em direção ao Rio Labruja. A travessia coincide com um grande viaduto da autoestrada, e é feita através de um pontilhão improvisado que não dá muita confiança. O caminho vai seguindo o rio, e por vezes é possível ouvir o barulho de quedas.

Von Caminho de Santiago Português 2009

O ascenso já começa, devagar. Vamos seguindo o rio pelo alto até sairmos de novo em uma estrada, na altura do povoado de Arco. Seguimos brevemente pela estrada, num cenário muito bonito, de campos e serras. Ao chegar na capela de N. Sra. das Neves, saímos da estrada para continuar subindo morro acima numa rua menor. Ao lado da capela há o último bar no caminho até Rubiães, então é bom aproveitá-lo.

Von Caminho de Santiago Português 2009

A subida vai lentamente se acentuando, e eventualmente saímos do asfalto e deixamos os povoados para trás. Passamos pela fonte das 3 bicas, cuja água é potável e incrivelmente refrescante. A trilha se torna exclusivamente florestal, e já podemos ver os povoados de longe. Depois de um bom trecho, saímos à esquerda para um trilha mais íngreme e menor. A partir daqui, convém ter mais cuidado com as pedras soltas. Próximo do ponto mais alto, passamos pela cruz dos franceses, já cheia de pedrinhas deixadas pelos peregrinos. Ali, o pior da subida já passou.

Von Caminho de Santiago Português 2009

E como que tudo que sobe tem que descer, seguimos ladeira abaixo num cenário bem similar ao da subida. Não tarda para os primeiros povoados apareceram e ouvirmos o badalar de igrejas no vale. É muito bonita a vista da igreja de Aqualonga, no outro lado do vale. Continuamos nosso descenso, e passamos até por uma antiga ponte romana. Ainda falta uma pequena subida para chegarmos em São Roque, onde há uma pensão alternativa para peregrinos, e seguimos no último trecho de trilha, passando primeiro por detrás da igreja românica de Rubiães, e em seguida, o belo albergue de peregrinos, de dar inveja a qualquer albergue.

Von Caminho de Santiago Português 2009

OS CAMINHOS PEQUENINOS. VIVER É SABER

Novembro 16, 2009 por robertobarbosa

 O s textos que cuidam do caminhar como prática salutar para corpo e mente, geralmente induzem a idéia de que o caminho há de ser superquilométrico para que a caminhada resulte bem; de que caminhar é preciso como navegar é preciso – o que lembra proezas de grande fôlego, só para quem pode. Sobretudo, parece, há que ter dinheiro pra gastar. Quanto custam, por exemplo, as andanças pelos caminhos de Compostela? E, cá entre nós,  ir as lugares tidos como santos será tão importante como o é para outros ir a Meca pelo menos uma vez na vida? Tem de ser por ali? Há nisso algo de sobrenatural, a ver com o santo ou com a tal energia cósmica, como dizem? O santo, o sobrenatural, existe? É importante tocar objetos, imagens para alcançar resultado? Se for assim, pobre do pobre, do remediado. Mas não é nada disso. Há caminhos menores, baratos, para todas as pernas, que atendem àquele objetivo, sempre que o caminhante se equipe para tanto, sob orientação técnica - senão… Os caminhos menores, tipo salva-saúde, quase sempre passam na frente da sua casa. Mas, a poucas pernadas dali, há outros, ótimos,  baratos, de aventuras gostosas. Veremos isso com vagar, passo a passo, noutro dia. Viver é saber.

Caminho Português – 21a. Jornada: Vitorino de Piães a Ponte de Lima

Novembro 13, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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Esta etapa é tranqüila, bonita até e tem como final uma das grandes cidades do Caminho Português, que é Ponte de Lima. A etapa é curta, beirando os 15 km, com um leve ascenso no meio. Pouco, mas se somada à etapa anterior, beira os 35 km, que para alguns pode ser demais. De todo modo, a divisão da etapa de Barcelos a Ponte de Lima é uma mera sugestão. A saída da casa da Fernanda e bem sinalizada e acabamos por sair na igreja matriz de Vitorino, e ao lado dela há um cemitério antigo.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de Vitorino, o caminho segue em leve ascenso e passa por trilhas, até chegar no alto da Albergaria. Em seguida, após um breve trecho de estrada, entramos novamente numa pista florestal que nos leva a campos de cultivo. Ali, no meio do cruzamento de dois caminhos no campo, há mais uma capela de São Sebastião, e, em frente, uma alminha de São Tiago em azulejos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

O trecho rural logo acaba, mas o caminho segue por vias asfaltadas de pouquíssimo tráfego, atravessando pequenos povoados. Num deles, chama atenção um antigo cruzeiro, que mais uma vez nos mostra que estamos no caminho correto. Cruza-se mais uma antiga ponte e logo depois há a capela de N. Sra. das Neves e um cruzeiro. Entra-se na chamada Ecovia, uma rua murada e coberta por estruturas para receber as vinhas. Em linha reta, chega-se ao rio Lima, e caminha-se paralelo a ele. Há de se prestar atenção, pois se o peregrino quiser ficar na Pousada da Juventude, deve-se virar à direita antes da Igreja de N. Sra. da Guia. Recentemente foi aberto o mais novo albergue de peregrinos do Caminho Português, justamente em Ponte de Lima, e fica após cruzar a ponte.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Não falta atrações em Ponte de Lima, a começar pela belíssima ponte romano-medieval – que lembra um pouco a enorme ponte de Hospital de Órbigo no Caminho Francês. A cidade era murada e tinha 9 torres, mas nada sobrou da muralha, e apenas uma torre sobreviveu aos tempos. Mas há diversos edifícios antigos ainda de pé, e o peregrinos pode ter certeza que a cidade foi testemunha dos passos dos peregrinos desde a idade média.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Nota do Albergue de Ponte de Lima

Novembro 12, 2009 por Henrique Gerken Brasil

Uma nota quentinha, de 3 dias atrás, sobre o albergue de Ponte de Lima segue abaixo. Acredito que o mais interessante da nota é a previsão de mais um albergue em S. Pedro Fins de Tamel, entre Barcelos e Ponte de Lima, trecho que eu disse ser demasiado longo – mas que de todo modo tem a possibilidade de acolhida na Casa da Fernanda; além desse possível novo albergue, outros dois também são previstos no Caminho da Costa. Notícias animadoras. A nota é da página do Concelho de Ponte de Lima (original aqui).

“I Encontro de Hospitaleiros e Albergues do Caminho Português para Santiago de Compostela
Turismo| 09 de Novembro de 2009

O Albergue de Peregrinos de Ponte de Lima fez-se representar, no passado sábado, dia 7 de Novembro, em S. Pedro de Rates, no I Encontro de Hospitaleiros e Albergues do Caminho Português.

Tratou-se de um encontro de trabalho, de conhecimento pessoal e de aproximação das distintas pessoas que têm, seja como profissionais seja como voluntários, única e simplesmente um grande objectivo – Bem receber o Peregrino!

A partilha de experiências, a definição de novos rumos, de metodologias inovadoras, tendo em vista encarar com optimismo e responsabilidade a árdua tarefa que se avizinha, a partir de Janeiro de 2010, com o previsível grande aumento do número de Peregrinos, atendendo tratar-se de Ano Santo, foram preocupações muito debatidas na reunião de trabalho.

Convém aqui mencionar que o Caminho Português para Santiago de Compostela é, neste momento, depois do Caminho Francês, o mais procurado por Peregrinos e estima-se que, no próximo ano, os números possam triplicar ou quadruplicar. Refira-se que depois de 2010 só haverá Ano Santo em 2021, situação que trará, como é óbvio, muitos mais Peregrinos ao Caminho.

O Município de Ponte de Lima, consciente deste fenómeno em franca expansão e atento às mais-valias que o Caminho Português para Santiago de Compostela (e também para Fátima) significa para o Concelho, irá reforçar a sua participação neste tipo de iniciativas, evidenciando o lugar de excelência e de primordial importância que detém no contexto dos Caminhos Portugueses de Peregrinação.

Cabe aqui ainda salientar a excelente notícia da previsão de abertura de novos Albergues de Peregrinos em S. Pedro Fins de Tamel, no Caminho Central (ficando o Caminho entre o Porto e Santiago de Compostela com as estruturas mínimas indispensáveis ao longo de todo o percurso), em Marinhas – Esposende e em Viana do Castelo, estes últimos no Caminho da Costa.

Por último, na sequência da necessidade de continuar a promover este tipo de encontros, que têm obrigatoriamente de ser realizados em alturas do ano em que há menos Peregrinos, de modo a permitir a participação dos Responsáveis e Hospitaleiros, o II Encontro será levado a cabo em Ponte de Lima, numa iniciativa do Município, através do Albergue de Peregrinos, em Fevereiro próximo.”

Caminho Português – 20a Jornada: Barcelos a Vitorino de Piães

Novembro 9, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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Nesta etapa, o ambiente fica definitivamente galego. Cada vez mais parece que o caminho fica mais verde e com pequenos e esparsos povoados. Nossa etapa tem uns 20 km, mas os guias sugerem uma etapa até Ponte de Lima, num percurso de quase 35 km, com duas subidas no meio. Há quem consiga, mas eu não… ; ) Muito por isso, cai do céu, literalmente, a acolhida que faz Fernanda e sua família em Vitorino de Piães. Acredito que não há outra acolhida tão sincera em todo o Caminho Português, e digo mais, no Caminho Francês.

O caminho em Barcelos passa ao lado da Igreja do Senhor da Cruz, e depois de atravessar duas rodovias, continua em direção de Vila Boa, onde há uma simpática igreja, e ainda atravessa a linha férrea. A esta altura, os campos já dominam o ambiente. Passamos pela capela de São Sebastião e pela capela de Santa Cruz – já é possível também perceber que a religiosidade vai aumentando conforme nos aproximamos da Galícia.

Von Caminho de Santiago Português 2009

O caminho então alterna-se entre bosques, campos e povoados. Muito lentamente, vai-se notando um leve ascenso. Num certo momento, vê-se uma placa indicando mais uma igreja, a de Tamel São Pedro Fins, que fica a uns 400 m do caminho, que a essa altura segue uma estrada. Por uma razão que não entendo, o caminho segue essa estrada até Bouças, ao invés de passar por essa igreja, numa rua rural, que também sai em Bouças. Aqui, o ascenso já forte, e chegamos num dos pontos altos, em cujo cume está a Igreja de Portela, onde em frente há um antigo cruzeiro com um cajado e cabaça esculpidos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de um pequeno trecho pela estrada, voltamos a atravessar um bosque, e por fim chegamos em Aborim, já em descenso. Passamos por uma moderna igreja, e descemos até um cruzeiro e uma árvore enorme. Mais uma vez atravessamos a linha férrea, e começamos a seguir a rua chamada Caminho de Santiago – para ninguém se perder. Há em frente um longo e verde trecho rural. Eventualmente passamos por dois curtos trechos de rodovia, para voltar novamente ao cenário rural, e finalmente chegar a um ponto simbólico deste caminho: a Ponte das Tábuas. De raízes romanas, mas de estrutura medieval, esta ponte já era citada em documentos do século XII. O relato mais antigo do caminho português, do padre italiano Confalonieri, do século XVI, também cita a ponte, aliás, relata que parou ao seu lado para descansar e comer. Aqui podemos ter certeza que estamos nos mesmos passos dos antigos peregrinos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Imediatamente após a ponte, há um pouco de confusão. Os guias indicam várias possibilidades para seguir, mas eu apenas encontrei um caminho sinalizado. A alternativa seria entrar imediatamente depois da ponte à esquerda. As flechas, porém, mandam seguir em frente. Ambos cairão na autoestrada, já no povoado de Balugães. A primeira alternativa deixa o peregrino mais perto do Santuário de N. Sra. Aparecida, que já era avistada de longe momentos antes. A segunda já sai no meio do povoado. Há uma igreja antiga no povoado, românica, mas as flechas amarelas ignoram as placas avisando da igreja. Mas não há problema de se visitar essas duas igrejas, pois não estão muito fora do caminho. Depois de Balugães, o peregrino sai novamente na autoestrada, na altura de uma fonte d’água e uma capela de São Sebastião. Aliás, há uma boa fonte no povoado, mas não há nenhum bar, assim como nas localidades anteriores. Por isso, o peregrino deve sair bem provisionado de Barcelos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Passando a capela, onde aliás há um belo espaço para um merecido descanso, o caminho segue por uma estradinha rural até chegar em Vitorino de Piães, mais precisamente uma localidade chamada Lugar do Corgo, onde está a casa da Fernanda. Caso o peregrino queira ficar ali, e recomendo vivamente, é preciso prestar atenção, pois não há sinalização. Depois da capelinha na estrada, a casa da Fernanda fica no primeiro cruzamento com casas que se depara. O portão está sempre aberto, e caso não haja ninguém em casa, basta esperar um pouco. Acreditem, dificilmente haverá outra acolhida tão jacobea pelo resto do caminho. Fernanda, seu marido Jacinto e sua filha Mariana recebem de braços abertos os peregrinos, sem cobrar nada em troca, a não ser uma boa conversa e convivência. E fica aqui um grande abraço a esta estimada família peregrina.

Jantar peregrino na Casa da Fernanda

Jantar peregrino na Casa da Fernanda

A Virgem da Barca de Pedra

Novembro 4, 2009 por lailaperegrina

Não se sabe quanto, mas muito tempo se passou em que o Apóstolo Santiago tentava inutilmente converter os galegos, até que um dia, sem ânimo, sentado nas rochas da praia de Muxia, pensava seriamente em desistir e retornar à Palestina para tentar caminhos mais fáceis.

De repente, com o olhar fixo no horizonte, viu aproximar-se uma barca que parecia vir de mais além do Fim do Mundo, inexplicavelmente começou a encher-se de uma estranha alegria e quando a barca estava bem próxima se deu conta que era de pedra e que nela estava Nossa Senhora em pessoa!

A barca atravessou a margem da praia e a Virgem dirigiu-se a Santiago, dando-lhe ânimo para seguir com sua tarefa, assegurando-lhe que tanto ela quanto seu filho estariam ao seu lado nos momentos mais difíceis. Dito isso, se esfumaçou no ar, não antes de deixar como prova de sua visita, uma imagem sua e os restos da barca de pedra que a havia trazido até ali, que ficaram espalhados pela praia por muitos séculos.

O fragmento que constituía a quilha é conhecido hoje como “A Pedra dos Cadrises”. Tem fama de ser remédio seguro para os males das costa, que melhoram totalmente se o doente se arrasta pelo buraco que a pedra deixa. A outra pedra é considerada o resto da vela, a chamam de “A Pedra d’Abalar” e é uma rocha plana e oscilante que se move quando quem pisa está livre do pecado, mas que permanece firmemente agarrada as outras rochas, se quem sobe nela é pecador insensível!

A visita de Nossa Senhora devolvei o ânimo ao Apóstolo e com grande entusiasmo voltou a sua tarefa evangelizadora, conseguindo algumas conversões!

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Igreja da Virgem da Barca de Pedra

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Pedra que supostamente pertenceu à barca de Nossa Senhora

Muxia (último adeus!)

Novembro 4, 2009 por lailaperegrina

A saudade de casa estava cada vez mais forte! Ainda me restava um dia na Espanha, então resolvi visitar Música. Heiko foi comigo, ele também tinha mais um dia antes de regressar para Alemanha.

Pegamos o ônibus cedo, seriam poucos quilômetros, mas depois de quase um mês sem nenhum meio de transporte confesso que odiei a viagem no ônibus, fiquei com enjôo e me senti muito mal (deveria ter ido a pé).

Muxia é uma vila de pescadores muito simpática! No dia 13 de novembro de 2002 ocorreu ali um grande desastre ambiental! O Petroleiro Grego Prestige derramou nas águas galegas aproximadamente 77 mil toneladas de óleo, afetando 700 praias e matando mais de 200mil aves! Milhares de pessoas ajudaram na recuperação, mas os efeitos deste grande desastre ecológico ainda afetam o litoral.

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Óleo em Muxia

Em Muxia está muito presente a cultura Celta e segundo me informou o hospitaleiro do albergue, concentram-se ali pontos de energia, onde eram feitos rituais pagãos!

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Ponto de energia Celta

Em cima das pedras, de frente para o mar, está a obra “A Ferida” que demorou 6 meses para ficar pronta e o resultado é um grande monólito de mais de 11 metros de altura, dividido em duas partes, e simboliza a ruptura, o impacto que representou o Prestige para a costa galega.

Através da fenda pode-se ver o mar e a obra é observada também ao longe pelos barcos que se aproximam da terra, e para que seus tripulantes não esqueçam o impacto da maré negra e a enorme solidariedade em que se empenharam tantos voluntários!

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Depois fui conhecer a “Igreja da Virxe de Pedra”, cuja lenda merece um post a parte.

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Fiquei emocionada com aquela paisagem e sentada em uma pedra fiquei a conversar com Heiko sobre o caminho. Segundo ele, depois de cruzar os Pirineus e chegar ao albergue de Roncesvalles, estava cansado, sem conforto algum, água fria no banheiro, pessoas mais velhas… ele sentou-se fora do albergue e ao observar tudo a sua volta perguntou a si o que estava fazendo naquele local e agora, olhando o mar, o infinito, e depois de tudo que vivenciara no caminho, sabia exatamente o que estava fazendo ali! Mais uma vez as lágrimas ultrapassaram os limites do corpo e meu coração foi tomado de alegria. Heiko sorriu e disse: “dizem que no Caminho todos choram… eu pouco chorei”, então eu pedi para que não se preocupasse, pois eu tinha lágrimas para muita gente!

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O Sol mergulhara no oceano e a luz do Farol começou a piscar! Essa luz serve para sinalizar os barcos a noite ou em dias de mal tempo, orientando o rumo que devem seguir! Assim é o Caminho de Santiago para os peregrinos, uma LUZ que indica qual direção devemos seguir!

Heiko me deu seu colar dizendo que havia ganhado de seus amigos e que tinha certeza que um dia eu iria devolver! Não sei se nos veremos novamente! Foi um grande amigo e estará guardado em meu coração!

Era hora de partir! Voltar! Trilhar outros Caminhos, mas certamente um pedacinho da minha alma ficará nas trilhas da Espanha… Sei que voltarei, não sei como nem quando… Mas voltarei!

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A lenda do galo de Barcelos

Novembro 1, 2009 por Henrique Gerken Brasil

Há algum tempo a Laila discorreu sobre a mui conhecida lenda do galo de Santo Domingo de la Calzada (clique aqui para relembrar).

Portanto, agora que cheguei na etapa de Barcelos nas jornadas do Caminho Português, acredito que vale a pena falar da lenda do famoso galo de Barcelos, que também é um símbolo de Portugal.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Ao que parece, há diversas lendas em diferentes cidades européias por onde passa o caminho que giram em torno do galo que cantou depois de assado. Com algumas variações, há a lenda em Toulouse, Santo Domingo, Barcelos, Utrecht, Winnenden. Todas, porém, tem base em um dos milagres de Santiago relatado no Calixtino (que vale um texto aqui depois). No século XIV já é relatada em Santo Domingo, enquanto em Barcelos a lenda é do século XVII. É uma confirmação, contudo, do passo do Caminho por Portugal.

Segue a lenda, nas palavras lusitanas diretamente saídas do sítio da internet do município de Barcelos:

“Os habitantes do Burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não ter descoberto o autor. Certo dia, apareceu um Galego que se tornou de imediato suspeito do dito crime, visto que ainda não tinha sido encontrado o criminoso. As autoridades condais resolveram prênde-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse para Santiago de Compostela em cumprimento de uma promessa como era tradição na época, e fosse devoto fiel de S. Paulo e da Virgem Santíssima.

“Por isso foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o havia condenado a tal destino. A autorização foi-lhe concedida, e levaram-no à presença do dito magistrado, que nesse momento se deleitava e banqueteava com os amigos. O galego reafirmou a sua inocência, e perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que se encontrava no centro de uma grande mesa, exclamando “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem“, perante gargalhadas e risos, não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.

“O que parecia impossível aconteceu. Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo ergueu-se na mesa e cantou! Após tal acontecimento mais ninguém duvidava da inocência do Peregrino. O Juiz correu à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz. Volvidos alguns anos, voltou a Barcelos e fez erguer um Monumento em louvor à Virgem e a Santiago.”

Cabe ressaltar que tal monumento em louvor à Virgem e a Santiago é um cruzeiro, que está devidamente protegido no Museu Arqueológico de Barcelos. Ao passar por Barcelos, inúmeros galos estão pela cidade, e, sabendo disso, o peregrino caminha sorridente, sabendo que está no caminho certo.

Curioso também é o fato de que o Caminho de Santiago está muito ligado à Espanha, porém um dos símbolos mais conhecidos de Portugal é justamente uma lenda jacobea.

E pra completar, um link para um post sobre essa lenda, do blogue Imaginação Ativa, muito bem escrito.

Abraços peregrinos,
Henrique

Caminho Português – 19a Jornada: Rates a Barcelos

Outubro 30, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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Esta etapa é curta, uns 17 km, e muito tranqüila e bonita, e acredito que não seria errado dizer que é uma das mais bonitas. A saída de Rates se dá pelos campos de cultivo, por estradinhas de terra e pedra. A impressão é que a paisagem lentamente se torna mais rural. Saímos da região d’O Porto e entramos na de Braga, em direção ao Minho.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Há de se tomar cuidado com as pedras soltas pelo caminho, é fácil torcer o tornozelo por aqui. Seguimos pelos campos rumo ao povoado de Pedra Furada. Um pouco antes, entramos na estrada, que nos leva primeiro à capela de Pedra Furada. O mais curioso aqui é que ao lado da capela há uma pedra, aparentemente antiga, redonda, e com um belo furo no meio. Deve ser a origem do nome…

Von Caminho de Santiago Português 2009

Passamos então pelo povoado, onde há um providencial bar, já acostumados com o trânsito de peregrinos. Continuamos pela estrada, até atravessar um grande viaduto, por um túnel. Já estamos na área de Barcelinhos, a um passo de Barcelos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

A ponte gótica sobre o rio Cávado já nos dá uma bela visao da igreja românica de Barcelos, cujo interior é esplendoroso, com vários painéis de azulejos. Na frente da igreja há um bonito pelourinho, e ao lado as ruínas do castelo medieval.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Há diversas opções de pensões e residenciais em Barcelos, mas nós decidimos tentar a sorte nos Bombeiros, que ficam a uns 700 do centro da cidade e portanto do caminho. Uma vez na bela igreja barroca do Senhor da Cruz, basta ir em direção do parque da cidade e seguir em frente até o grande edifício dos Bombeiros.

Von Caminho de Santiago Português 2009

E aqui não posso deixar de agradecer a imensa hospitalidade dos bombeiros voluntários de Barcelos conosco e com todos os peregrinos. Eles, além de hospitalidade, oferecem algumas camas e colchões, banho quente e muita conversa. Nosso abraço e lembranças ao bombeiro Domingos, que, mesmo de férias, nos mostrou todo o quartel, museu e carros antigos.

Bombeiros e peregrinos

Bombeiros e peregrinos

Tradução da “Compostela”

Outubro 28, 2009 por lailaperegrina
“O capítulo desta Venerável Igreja Apostólica e Metropolitana Compostelana, guardiã do selo do Altar do bem-aventurado Apóstolo Thiago, que a todos os Fiéis e peregrinos vindos de todo o Orbe terrestre, por sentimento de devoção ou por motivo de promessa, à moradade Nosso Apóstolo Patrono e Protetor dos Espanhóis, São Thiago fornece autêntico certificado de visitação.
A todos e a cada um que vier examinar esta presente, faz saber que ……………………….
visitou devotadamente este sacratíssimo templo por motivo de fé. A ele confiro o presente documento como testemunho, munido do selo desta mesma Santa Igreja.
Data da Compostela, dia … do mês de … do ano do Senhor…
 
 E no selo do documento está escrito:
 
“Selo do Capítulo de Saõ Thiago de Compostela”
 

Compostela

Tradução cedida pelo peregrino Paulo Roberto T Silva, autor do livro: “Ruta Jacobea. O Caminho de Santiago de Compostela”.

 

Secretário capitular