A Virgem da Barca de Pedra

Novembro 4, 2009 por lailaperegrina

Não se sabe quanto, mas muito tempo se passou em que o Apóstolo Santiago tentava inutilmente converter os galegos, até que um dia, sem ânimo, sentado nas rochas da praia de Muxia, pensava seriamente em desistir e retornar à Palestina para tentar caminhos mais fáceis.

De repente, com o olhar fixo no horizonte, viu aproximar-se uma barca que parecia vir de mais além do Fim do Mundo, inexplicavelmente começou a encher-se de uma estranha alegria e quando a barca estava bem próxima se deu conta que era de pedra e que nela estava Nossa Senhora em pessoa!

A barca atravessou a margem da praia e a Virgem dirigiu-se a Santiago, dando-lhe ânimo para seguir com sua tarefa, assegurando-lhe que tanto ela quanto seu filho estariam ao seu lado nos momentos mais difíceis. Dito isso, se esfumaçou no ar, não antes de deixar como prova de sua visita, uma imagem sua e os restos da barca de pedra que a havia trazido até ali, que ficaram espalhados pela praia por muitos séculos.

O fragmento que constituía a quilha é conhecido hoje como “A Pedra dos Cadrises”. Tem fama de ser remédio seguro para os males das costa, que melhoram totalmente se o doente se arrasta pelo buraco que a pedra deixa. A outra pedra é considerada o resto da vela, a chamam de “A Pedra d’Abalar” e é uma rocha plana e oscilante que se move quando quem pisa está livre do pecado, mas que permanece firmemente agarrada as outras rochas, se quem sobe nela é pecador insensível!

A visita de Nossa Senhora devolvei o ânimo ao Apóstolo e com grande entusiasmo voltou a sua tarefa evangelizadora, conseguindo algumas conversões!

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Igreja da Virgem da Barca de Pedra

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Pedra que supostamente pertenceu à barca de Nossa Senhora

Muxia (último adeus!)

Novembro 4, 2009 por lailaperegrina

A saudade de casa estava cada vez mais forte! Ainda me restava um dia na Espanha, então resolvi visitar Música. Heiko foi comigo, ele também tinha mais um dia antes de regressar para Alemanha.

Pegamos o ônibus cedo, seriam poucos quilômetros, mas depois de quase um mês sem nenhum meio de transporte confesso que odiei a viagem no ônibus, fiquei com enjôo e me senti muito mal (deveria ter ido a pé).

Muxia é uma vila de pescadores muito simpática! No dia 13 de novembro de 2002 ocorreu ali um grande desastre ambiental! O Petroleiro Grego Prestige derramou nas águas galegas aproximadamente 77 mil toneladas de óleo, afetando 700 praias e matando mais de 200mil aves! Milhares de pessoas ajudaram na recuperação, mas os efeitos deste grande desastre ecológico ainda afetam o litoral.

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Óleo em Muxia

Em Muxia está muito presente a cultura Celta e segundo me informou o hospitaleiro do albergue, concentram-se ali pontos de energia, onde eram feitos rituais pagãos!

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Ponto de energia Celta

Em cima das pedras, de frente para o mar, está a obra “A Ferida” que demorou 6 meses para ficar pronta e o resultado é um grande monólito de mais de 11 metros de altura, dividido em duas partes, e simboliza a ruptura, o impacto que representou o Prestige para a costa galega.

Através da fenda pode-se ver o mar e a obra é observada também ao longe pelos barcos que se aproximam da terra, e para que seus tripulantes não esqueçam o impacto da maré negra e a enorme solidariedade em que se empenharam tantos voluntários!

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Depois fui conhecer a “Igreja da Virxe de Pedra”, cuja lenda merece um post a parte.

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Fiquei emocionada com aquela paisagem e sentada em uma pedra fiquei a conversar com Heiko sobre o caminho. Segundo ele, depois de cruzar os Pirineus e chegar ao albergue de Roncesvalles, estava cansado, sem conforto algum, água fria no banheiro, pessoas mais velhas… ele sentou-se fora do albergue e ao observar tudo a sua volta perguntou a si o que estava fazendo naquele local e agora, olhando o mar, o infinito, e depois de tudo que vivenciara no caminho, sabia exatamente o que estava fazendo ali! Mais uma vez as lágrimas ultrapassaram os limites do corpo e meu coração foi tomado de alegria. Heiko sorriu e disse: “dizem que no Caminho todos choram… eu pouco chorei”, então eu pedi para que não se preocupasse, pois eu tinha lágrimas para muita gente!

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O Sol mergulhara no oceano e a luz do Farol começou a piscar! Essa luz serve para sinalizar os barcos a noite ou em dias de mal tempo, orientando o rumo que devem seguir! Assim é o Caminho de Santiago para os peregrinos, uma LUZ que indica qual direção devemos seguir!

Heiko me deu seu colar dizendo que havia ganhado de seus amigos e que tinha certeza que um dia eu iria devolver! Não sei se nos veremos novamente! Foi um grande amigo e estará guardado em meu coração!

Era hora de partir! Voltar! Trilhar outros Caminhos, mas certamente um pedacinho da minha alma ficará nas trilhas da Espanha… Sei que voltarei, não sei como nem quando… Mas voltarei!

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A lenda do galo de Barcelos

Novembro 1, 2009 por Henrique Gerken Brasil

Há algum tempo a Laila discorreu sobre a mui conhecida lenda do galo de Santo Domingo de la Calzada (clique aqui para relembrar).

Portanto, agora que cheguei na etapa de Barcelos nas jornadas do Caminho Português, acredito que vale a pena falar da lenda do famoso galo de Barcelos, que também é um símbolo de Portugal.

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Ao que parece, há diversas lendas em diferentes cidades européias por onde passa o caminho que giram em torno do galo que cantou depois de assado. Com algumas variações, há a lenda em Toulouse, Santo Domingo, Barcelos, Utrecht, Winnenden. Todas, porém, tem base em um dos milagres de Santiago relatado no Calixtino (que vale um texto aqui depois). No século XIV já é relatada em Santo Domingo, enquanto em Barcelos a lenda é do século XVII. É uma confirmação, contudo, do passo do Caminho por Portugal.

Segue a lenda, nas palavras lusitanas diretamente saídas do sítio da internet do município de Barcelos:

“Os habitantes do Burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não ter descoberto o autor. Certo dia, apareceu um Galego que se tornou de imediato suspeito do dito crime, visto que ainda não tinha sido encontrado o criminoso. As autoridades condais resolveram prênde-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse para Santiago de Compostela em cumprimento de uma promessa como era tradição na época, e fosse devoto fiel de S. Paulo e da Virgem Santíssima.

“Por isso foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o havia condenado a tal destino. A autorização foi-lhe concedida, e levaram-no à presença do dito magistrado, que nesse momento se deleitava e banqueteava com os amigos. O galego reafirmou a sua inocência, e perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que se encontrava no centro de uma grande mesa, exclamando “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem“, perante gargalhadas e risos, não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.

“O que parecia impossível aconteceu. Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo ergueu-se na mesa e cantou! Após tal acontecimento mais ninguém duvidava da inocência do Peregrino. O Juiz correu à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz. Volvidos alguns anos, voltou a Barcelos e fez erguer um Monumento em louvor à Virgem e a Santiago.”

Cabe ressaltar que tal monumento em louvor à Virgem e a Santiago é um cruzeiro, que está devidamente protegido no Museu Arqueológico de Barcelos. Ao passar por Barcelos, inúmeros galos estão pela cidade, e, sabendo disso, o peregrino caminha sorridente, sabendo que está no caminho certo.

Curioso também é o fato de que o Caminho de Santiago está muito ligado à Espanha, porém um dos símbolos mais conhecidos de Portugal é justamente uma lenda jacobea.

E pra completar, um link para um post sobre essa lenda, do blogue Imaginação Ativa, muito bem escrito.

Abraços peregrinos,
Henrique

Caminho Português – 19a Jornada: Rates a Barcelos

Outubro 30, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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Esta etapa é curta, uns 17 km, e muito tranqüila e bonita, e acredito que não seria errado dizer que é uma das mais bonitas. A saída de Rates se dá pelos campos de cultivo, por estradinhas de terra e pedra. A impressão é que a paisagem lentamente se torna mais rural. Saímos da região d’O Porto e entramos na de Braga, em direção ao Minho.

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Há de se tomar cuidado com as pedras soltas pelo caminho, é fácil torcer o tornozelo por aqui. Seguimos pelos campos rumo ao povoado de Pedra Furada. Um pouco antes, entramos na estrada, que nos leva primeiro à capela de Pedra Furada. O mais curioso aqui é que ao lado da capela há uma pedra, aparentemente antiga, redonda, e com um belo furo no meio. Deve ser a origem do nome…

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Passamos então pelo povoado, onde há um providencial bar, já acostumados com o trânsito de peregrinos. Continuamos pela estrada, até atravessar um grande viaduto, por um túnel. Já estamos na área de Barcelinhos, a um passo de Barcelos.

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A ponte gótica sobre o rio Cávado já nos dá uma bela visao da igreja românica de Barcelos, cujo interior é esplendoroso, com vários painéis de azulejos. Na frente da igreja há um bonito pelourinho, e ao lado as ruínas do castelo medieval.

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Há diversas opções de pensões e residenciais em Barcelos, mas nós decidimos tentar a sorte nos Bombeiros, que ficam a uns 700 do centro da cidade e portanto do caminho. Uma vez na bela igreja barroca do Senhor da Cruz, basta ir em direção do parque da cidade e seguir em frente até o grande edifício dos Bombeiros.

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E aqui não posso deixar de agradecer a imensa hospitalidade dos bombeiros voluntários de Barcelos conosco e com todos os peregrinos. Eles, além de hospitalidade, oferecem algumas camas e colchões, banho quente e muita conversa. Nosso abraço e lembranças ao bombeiro Domingos, que, mesmo de férias, nos mostrou todo o quartel, museu e carros antigos.

Bombeiros e peregrinos

Bombeiros e peregrinos

Tradução da “Compostela”

Outubro 28, 2009 por lailaperegrina
“O capítulo desta Venerável Igreja Apostólica e Metropolitana Compostelana, guardiã do selo do Altar do bem-aventurado Apóstolo Thiago, que a todos os Fiéis e peregrinos vindos de todo o Orbe terrestre, por sentimento de devoção ou por motivo de promessa, à moradade Nosso Apóstolo Patrono e Protetor dos Espanhóis, São Thiago fornece autêntico certificado de visitação.
A todos e a cada um que vier examinar esta presente, faz saber que ……………………….
visitou devotadamente este sacratíssimo templo por motivo de fé. A ele confiro o presente documento como testemunho, munido do selo desta mesma Santa Igreja.
Data da Compostela, dia … do mês de … do ano do Senhor…
 
 E no selo do documento está escrito:
 
“Selo do Capítulo de Saõ Thiago de Compostela”
 

Compostela

Tradução cedida pelo peregrino Paulo Roberto T Silva, autor do livro: “Ruta Jacobea. O Caminho de Santiago de Compostela”.

 

Secretário capitular

Caminho Português – 18a Jornada: Vilar do Pinheiro a Rates

Outubro 26, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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A etapa é tranquila, com não mais de 20 km. Já nota-se a presença maior de referências a um antigo caminho de peregrinação. O único porém é que boa parte da caminha se faz pelo asfalto, sob estradas já secundárias, com a única possibilidade de caminhar em valetas. Pelo que já li sobre o caminho português, este trajeto é de fato o antigo, por onde passavam os peregrinos. Contudo, com o passar dos tempos, este caminho, que era na verdade uma via romana que ligava O Porto a Braga, foi se tornando estrada, asfalto, rodovia… Mas é possível aproveitar bem a caminhada e descansar em vários momentos…

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Saindo de Vilar do Pinheiro, o peregrino segue o asfalto em direção ao norte. Durante uns 8 km, passa-se pelos vilarejos de Mosteiró, Vilar, Gião e Vilarinho. Contudo, só neste último há possibilidade de encontrar um bar. Logo, aproveite para fazer uma parada técnica. Aqui, também existe um refúgio improvisado pela cidade, que fica na escola, não muito longe do Caminho. Porém, possui apenas 4 camas, mas tem cozinha, e fica do lado do vestiário da escola, onde há chuveiros. A chave encontra-se na farmácia que fica no caminho ao refúgio.

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Logo depois de Vilarinho, encontra-se a ponte medieval D. Zameiro, que há pouco estava em ruínas e foi restaurada neste ano. Portanto, pode-se ignorar as flechas que na rodovia indicam para se seguir em frente, e entrar na estrada de terra que leva à ponte. Em seguida temos um subida que nos leva a Junqueira. Mais adiante, passamos por um túnel e seguimos por uma trilha que lembra uma calçada romana, junto a um riachinho. Já ao longe se avista Arcos e sua igreja no alto do morro. Para se chegar à cidade, passamos por mais uma bela ponte medieval.

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Em seguida, um bom trecho florestal, que termina já em Rates. Passamos por um cemitério e logo a linha férrea. Já avistamos a famosa Igreja românica de São Pedro de Rates.

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Cabe dizer que São Pedro de Rates foi um dos discípulos do próprio apóstolo Santiago, e importante evangelizador da península ibérica. Foi fundador da diocese de Braga, importante cidade portuguesa e uma das antigas capitais da Galícia romana (Braccara Augusta), onde encontra-se hoje seus restos.

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A cidade é deveras simpática, há outra igreja ao lado e alguns edifícios interessantes. Para se chegar ao albergue, o primeiro refúgio de peregrinos de todo o Caminho Português (veja a excelente – e recheada de informações – página do albergue aqui), deve-se seguir o caminho mais uns 750 m, e logo depois de passar um cruzeiro, já se vê a bandeira do refúgio em uma casa branca. As chaves do albergue estão no mercado que fica um pouco mais adiante. Ali também se carimba a credencial, e devo dizer que é um dos mais bonitos selos de todos os caminhos…

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Caminho de Finisterre – 3a. Etapa: Cee a Finisterra (morte para o renascimento)

Outubro 23, 2009 por lailaperegrina

Novamente sentimentos adversos tomavam conta de mim. Saudade da casa, da família e… saudade do Caminho que mais uma vez estava para terminar!

Deixei meus amigos seguirem na frente e fui um pouco mais lenta, como se quisesse prorrogar o inevitável!

Aproveitei os últimos quilômetros para agradecer a companhia de meu pai (avô)… ele ainda estava ao meu lado! Queria ver o mar! E a presença de Deus, latente, presente em cada detalhe, mostrando-me as belezas do mundo e da humanidade!

Um filme passava pela minha cabeça, era inacreditável tudo que se passara comigo! As lágrimas tornaram-se inevitáveis, principalmente quando passei pela praia próxima a Finisterra.

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O dia não estava tão ensolarado o que me deixava mais melancólica e a passos lentos eu seguia rumo ao Fim das Terras!

Sem saber uma surpresa maravilhosa esperava por mim! Quanta alegria!Ao entrar em Finisterra, próximo à estação de ônibus estavam eles… a minha espera! Segura emoção! Andreia (italiano), grande amigo no Caminho. Judh (australiana), os italianos Dário e Fellipo que encontrei em muitas etapas e… ele, meu anjo da guarda. Frank (alemão). Todos a minha espera!

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Pudemos chegar todos juntos ao final! Cheguei ao marco zero e mais à frente estava o mar… infinito!

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Parecia mesmo o fim do mundo e os peregrinos que ali estavam pareciam voltar para dentro de si! Encontrei um cantinho e lá fiquei a contemplar o horizonte, mal conseguia acreditar que eu estava ali… parecia um sonho lindo! Agora realmente acabara e o desfecho do meu Caminho era MARAVILHOSO! Choro convulsivo, choro de muitos sentimentos fundidos num só: GRATIDÃO!

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Heiko chamou-me. Chegara o momento do ritual da queima de roupa da peregrinação. Procuramos um local protegido do vento e queimei uma camiseta e uma meia (que estava furada)… Era como a Fênix, renascendo das cinzas e pronta para trilhar outros caminhos! O fogo consumiu rapidamente as peças… era o símbolo da renovação! E assim eu me sentia… Renovada!

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Encontramos Fabian, a garota austríaca que percorrera 1700 km com sua bike! Ela contou que durante todo percurso sua bicicleta nunca apresentara problemas e que ao chegar ao Cabo quebrou! Era hora de voltar para casa!

Para comemorar Andreia trouxe uma Torta de Santiago e uma garrafa de vinho! Que delícia…

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Descemos a enorme ladeira que nos levou ao Cabo e fomos a um bar em frente ao terminal de ônibus! Judh, Andreia e Frank partiriam!

Judh estava muito emocionada! Lágrimas tímidas insistiam em aparecer! Abraçamos-nos desejando uma boa vida!

Andreia me deu um abraço apertado e nos desejamos muita sorte e sucesso!

Agora Frank partiria e desta vez eu sentia que era para sempre… Depois de despedir-se de todos era minha vez, fiquei por ultimo! Durante todo o Caminho Frank sempre me dizia: “You are a good girl!” (você é uma boa garota) o que me deixava feliz e ciente da minha capacidade de amar o próximo! Naquele momento de despedida ele segurou meu rostos e olhando profundamente em meus olhos disse: “You are not a good girl” (você não é uma boa garota), por alguns segundos me perguntei o que eu tinha feito de errado, então com um largo sorriso ele finalizou: “You are a good woman” (você é uma boa mulher)! Eu não queria chorar, mas era impossível! Abraçamos-nos emocionados e Frank partiu…

Adeus meu amigo!

Adeus meu amigo!

 Algumas frases de Frank ficarão para sempre comigo: “You are a good girl”, “Tomorrow is another Day, a good Day” (amanhã será um outro dia, um bom dia) “Yes, you can” (sim, você pode) “Cerveza is good for the legs” (cerveja faz bem para as pernas) e sempre que eu perguntava se faltava muito para chegar ele, pacientemente respondia “Only twenty minuts” (só vinte minutos) sempre…!

Mais tarde Hiohana (holandesa) juntou-se a nós e fomos ver o por do sol em uma praia! Estávamos todos felizes! Alguns tiveram coragem e entraram no mar, inclusive Hiohana que só de calcinha corria feliz pulando as ondas e atirando-se ao mar, eu com cara de paisagem fingia achar aquilo muito normal! Não entrei, a água estava fria demais para uma brasileira!

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O Sol beijou o Mar e o céu ficou laranja! Era um espetáculo da natureza promovido por Deus que encerrava minha peregrinação!

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Heiko (alemão)

Heiko (alemão)

No dia seguinte iria para Muxia, de ônibus… Não percam!

Caminho Português – 17a Jornada: O Porto a Vilar do Pinheiro

Outubro 22, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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A parte mais estruturada do Caminho Português começa aqui. Muito por isso, é a escolha de início da maior parte dos peregrinos, além de praticamente todos os guias começarem aqui. Talvez até tenha sido este fato um dos maiores incentivadores para nós fazermos o caminho desde Lisboa. Não há um albergue n’O Porto ainda, apesar de existir planos para tanto. Não chega a ser um problema, pois há diversas pensões na cidade, além da Pousada da Juventude e alguns hostais.

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De toda forma, tem-se como saída a Catedral da Sé, belíssima construção que lembra muito uma fortaleza, bem no alto do morro com vista para o Douro. Nada mal para um começo de caminhada, convenhamos.

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Seguimos morro abaixo pelas ruas estreitíssimas e medievais, depois entramos na famosa Rua das Flores e chegamos à Torre dos Clérigos, um dos símbolos do perfil da cidade. Em seguida, passamos ao lado de Igreja do Carmo, que tem um enorme mural de azulejos.

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Há quem diga para o peregrino pular dessa parte urbana, e seguir de metrô até a zona industrial do Maia, ou até começar em Barcelos, deixando Porto para trás. Sinceramente, eu acho que vale a pena o esforço de se caminhar numa zona intensamente urbanizada como essa, pois tesouros como estes não se vê facilmente. Além disso, a urbanização é apenas mais um obstáculo do peregrino moderno, não há como escapar totalmente dela. Enfim, depois da Igreja, segue-se, quase que em linha reta, pela Rua da Cedofeita até sair do perímetro d’O Porto – na verdade, estamos passando por atuais bairros afastados.

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No bairro de Araújo, encontramos a capela homônima, e ao lado um antigo carvalho, que contém uma imagem dentro do tronco aberto. Logo depois, há o ponto mais crucial desta etapa, um cruzamento perigoso de uma autoestrada de quatro pistas (!). E para dificultar, tem até um guardrail entre as pistas. Realmente, não consigo entender como isso ainda não foi contornado.

Depois, logo chega a zona industrial de Maia, que na verdade não é nada assustadora, e termina logo. Está bem urbanizada, e não significa nenhum problema maior. Ao final dela, o caminho entra por uma rua amuralhada, anunciando a chegada em Vilar do Pinheiro. Aqui, a única opção é um residencial que fica na beira da autovia, a uns 500 metros do caminho. Outra alternativa seria caminhar mais uns 8 km até Vilarinho, onde há um pequeno refúgio improvisado numa escola. Para quem começou n’O Porto, creio que é melhor ficar em Vilar do Pinheiro, pois não fica a mais do que 18 km do início. A etapa sugerida em guias chega aos 37 km, indo até São Pedro de Rates, o que acredito que é um exagero.

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Caminho de Finisterre – 2a. Etapa: Vilaserío a Cee (42km)

Outubro 20, 2009 por lailaperegrina

Acordei por volta das 07h30min. O Sol já dava sua graça… radiante! Minhas coisas estavam todas molhadas por causa do sereno da noite… Que noite!!! Dormir sob as estrelas foi maravilhoso!

Seria uma etapa bem longa, 42 km, mas eu já nem pensava mais em quilometragem… tinha me transformado em uma máquina de andar! E de sonhar!

Danilo (suíço) juntou-se a nós, mas depois de alguns quilômetros nos separamos e cada um seguiu em seu ritmo.

A paisagem era linda… muito verde e muita água. Caminhei por algum tempo em uma estrada de asfalto (preferia as de terra), mas neste dia tudo estava lindo!

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Depois passei por pastos onde o gado tomava banho de Sol. 

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Os gigantes voltaram a aparecer… Moinhos de energia eólica deixavam o caminho ainda mais bonito… Estavam lá, imponentes, como guardiões da natureza, lembrei-me de um filme que assisti mais de meia dúzia de vezes com meus filhos, Ponte para Terabítia: “… feche seus olhos, mas deixe a mente bem aberta”. Minha mente estava aberta, borboletas transformavam-se em fadas, um gavião que passou imponente cruzando o céu azul com sua presa no bico transformara-se em Guerreiro da Infantaria do Mestre das Trevas, criaturas mágicas materializavam-se em minha mente, criando vida, duendes me acompanhavam, tudo era mágico, o barulho da água correndo em direção ao mar e o colorido da natureza fazia-me muito bem.

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Cheguei a um bar a 15 km do destino final daquele dia e achei muito engraçado a placa feita precariamente que delicadamente avisava que seria o ultimo bar antes de chegar à Cee! Diante daquele intimado aproveitei para comer, beber e descansar um pouco e depois parti!

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Cheguei a Cee depois de caminhar 12 horas. A maquina de caminhar estava exausta, mas a alegria era tamanha que ao adentrar na cidade encontrei meus amigos de caminhada sentados em um bar e seguimos juntos, brincando de Guerra nas Estrelas, batalhando com nossos cajados que se transformaram em espadas de luz!

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Depois deste dia duro tomei um banho, jantei e desmaiei!

Caminho Português – 16a Jornada: Lourosa a O Porto

Outubro 18, 2009 por Henrique Gerken Brasil


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Esta etapa tem como fim a famosa cidade d’O Porto, berço do país português, terra do vinho do Porto, entre outras coisas. É uma cidade das mais interessantes do mundo, e merece, por si só, alguns dias de visita. Em relação ao Caminho, sempre foi passo de peregrinos, desde os tempos medievais. Hoje não se encontra mais sinais jacobeos, além das recentes flechas amarelas. Encontrou-se, contudo, uma cruz de Santiago em uma igreja da Lapa, próxima do Caminho. Ainda, há uma associação jacobéia na cidade que ajuda os peregrinos no que for necessário.

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Saímos de Lourosa, e voltamos para o ponto onde saímos da trilha. Seguimos pela urbanização, até chegarmos na N-1, mais uma vez a rodovia serve de caminho. A sinalização é ruim, como é de praxe nesse cenário de asfalto e carros, portanto cuidado. Por um breve momento, caminha-se paralelamente à rodovia para eventualmente cruzá-la. Se você chega a uma rotátoria, você passou do desvio, portanto volte um pouco. No caso, nós passamos retos, e caminhamos direto pela N-1 até encontrarmos placas sinalizando o Mosteiro de Grijó, que era nosso primeiro objetivo na etapa.

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O Mosteiro de Grijó já é citado pelo peregrino italiano Confalonieri, em seu relato medieval, inclusive foi onde pernoitou. O mosteiro com certeza foi testemunha de muitos caminhantes. Tem uma área enorme e foi, à sua época, muito influente. A igreja foi recentemente reformada, e depois de alguma insistência tocando a campainha, conseguimos entrar e visitar o claustro, a sacristia e a igreja. Imperdível.

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Depois de passar pro Grijó, seguimos por uma leve subida, passamos por alguns núcleos urbanos e chegamos em mais um atrativo desta etapa, qual seja, um belo trecho de calçada romana entre belos bosques. Um último alento antes do enorme trecho urbano de Vila Nova de Gaia e O Porto.

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Depois de cruzar um enorme viaduto, entramos em Vila Nova. Há boa sinalização, mas mesmo no caso de se perder, basta sempre seguir reto pela grande avenida. Eventualmente, chega-se na Ponte D. Luis I, do mesmo arquiteto da torre Eiffel. Dependendo do horário, pode-se chegar ali com o sol já baixo no horizonte, iluminando o famoso rio Douro. Foi o nosso caso, e devo dizer que é uma das mais belas entradas em uma cidade em todo os Caminhos. É um ponto significativo, pois já se foram quase 500 km de caminhada. E a partir d’O Porto o caminho está bem melhor estruturado, e há cada vez mais albergues e referências a Santiago.

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Aqui também cabe um conselho: as flechas, ao chegar na ponte, indicam o peregrino para a parte baixa da mesma – a estrutura é dupla, a parte de baixo para carros e a de cima para o bonde – que o levará para a Ribeira, zona turística d’O Porto. Porém, nos parece muito mais interessante fazer a travessia do Douro pela parte alta da ponte. A vista é de tirar o fôlego, e ainda por cima o peregrino chega direto na Catedral da Sé, onde pode carimbar a credencial e onde começa o Caminho Português mais conhecido.

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