Duas semanas depois (isso foi a um mês atrás. rs) do meu retorno de Santiago de Compostela resolvi finalmente tentar transformar em palavras um pouco de todo sentimento vivido nesta grande e maravilhosa aventura que foi cruzar um país até então desconhecido por mim com pessoas de todo o mundo, cada qual com seus costumes, suas crenças, sua cultura e seus sentimentos.

Grande conquista!
Acho difícil contar em poucas palavras o que aconteceu em 24 dias de caminhada, mas vamos ver o que eu consigo.
Escolhi o parque estadual da cantareira para executar esta deliciosa tarefa de recordar e resgatar boas e maravilhosas lembranças.
Daqui da Pedra grande me sinto como se estivesse chegando em León, sem comparar o tamanho da cidade, quantidade de prédios nem a poluição.
Acabo de avistar um avião e a saudade de estar peregrino aumenta. Acredito que ser peregrino é quase uma filosofia de vida, mas vamos deixar para filosofar sobre isto em outra oportunidade.
Nesta caminhada eu ri, chorei, amei, me amei, briguei, odiei, perdoei, me perdoei, aprendi, ensinei, cantei, escutei, ganhei, confiei, perdi, encontrei, me encontrei e o mais importante: AGRADECI!
Ri de mim, dos outros e do nada.
Chorei de alegria, tristeza, saudade e dor.
Briguei comigo mesmo, com minha mãe, com o caminho e com o mundo.
Perdoei aquilo que achava que deveria perdoar e me perdoei por achar que precisava perdoar algo ou alguém.
Ganhei experiência, amigos, força, confiança em mim e nos outros.
Perdi certas vergonhas, certos medos, certas incertezas e o pudor de experimentar todo e qualquer alimento que me seja oferecido, incluindo caracol (escargot).
Agradeci a Deus por tudo que passei, por ser capaz de superar tantas coisas para seguir caminhando, pela natureza que permanece a nossa volta por todo o caminho, por ter a saúde perfeita o que me permitiu – mesmo com dores nos ombros – chegar a lugares como “O cebreiro” onte tive uma das visões mais lindas da minha vida e por ele estar tão presente na minha vida.
Tenho três agradecimentos muito especiais.
Agradeço minha mãe: obrigado por me apresentar o caminho de Santiago!
Tenho um agradecimento especial a uma mulher: forte, loira, alta, persistente, guerreira e linda! Obrigado por ter me dado a chance de amar intensamente de uma forma tão pura, simples e bonita!
Outro agradecimento especial: Manolo! Grande amigo e a pessoa que me deu a chance de sentir de uma forma tão verdadeira o que seria fazer o caminho de Santiago ao lado do meu amado pai! Gracias Manolo!
As pessoas dizem que você vai encontrar respostas ao final do caminho. Acho que não de uma forma única, mas com certeza todas as pessoas que prestam atenção no caminho encontram de uma forma ou de outra essas respostas.
Eu encontrei as minhas e reafirmei minha posição com relação ao mundo onde vivo.
Obrigado Deus, obrigado mãe, obrigado Kátia, Henrique e Laila, obrigado Santiago!
A pergunta que fica no ar: Você faria o caminho novamente, Angelo?
A resposta é simple: CLARO! ÓBVIO! COM CERTEZA! E espero estar caminhando por lá novamente em 2011.
Ultreia y Suseya!
Um grande abraço do sempre peregrino Angelo Servo.
Escrito por arjservo 




