Castelo de Ponferrada

setembro 10, 2009

Ponferrada recebeu este nome por causa de uma grande ponte de madeira construída sob o rio Sil na época da ocupação Romana na Península Ibérica.

Tempos depois, no século XII, na Reconquista Cristã, o Bispo de Astorga, Osmundo, fez reforçar a ponte com ferro devido à grande riqueza deste e outros minérios existentes na região, ficando conhecida como “Pons ferrata”.

Em 1178 o rei Fernando II de Leão doou Ponferrada e seus domínios aos Cavaleiros Templários que se apoderaram do Castelo.

Segundo conta a lenda os Cavaleiros vieram para Europa trazendo de Jerusalém (local onde teria sido iniciada a Ordem com o objetivo de proteger os peregrinos que ali chegavam) e com eles trouxeram documentos, riquezas e supostamente até o Santo Graal.

Graças à herança templária o castelo é um criptograma em pedra, repleto de signos e vinculações astronômicas. As 12 torres do castelo correspondem aos 12 signos do zodíaco. Em seu interior eram realizados ritos de iniciação e até hoje o Castelo estimula mentes fantasiosas de pessoas que ainda sonham em encontrar o tesouro desaparecido que pertenceu aos templários e quem sabe até a Arca da Aliança (onde a tábua dos 10 mandamentos foi guardada) e que se acredita estar até hoje em seus subterrâneos (até parece filme do Indiana Jones)!

Castelo de Ponferrada

Castelo de Ponferrada

Conta-se também que o castelo está ligado a outros castelos distantes mediantes túneis pelos quais os templários fugiam quando eram ameaçados.

Não sei ao certo o que é fantasia e o que é realidade, mas sei que estórias como essas deixam o Caminho de Santiago ainda mais fascinante e enigmático, transformando internamente muitos peregrinos que recebem o “tal Chamado” para aventurar – se neste Caminho mágico!


Ultreya e Suseya!

abril 28, 2009

Estava cá folheando a esmo meu Código Calistino, e acabei por encontrar o canto medieval, considerado o mais antigo conhecido, chamado “Dum Pater Familias” – também conhecido com “Canto de Ultreya” e “Canção dos Peregrinos flamengos”. Muito interessante o fato por si só, porém, há algo mais: é desse canto que surgiu a expressão “ultreya y suseya”, tão usado até hoje pelos peregrinos, como uma saudação de bom caminho. E, ainda, também era o grito dos cruzados.

A expressão na verdade significa “para frente e para cima”, em latim: “y ultra ea, y sus ea”. Com o tempo – e haja tempo, desde 1080 – o canto foi sofrendo alterações e chegou até nós “ultreya e suseya”. Como latim não é a segunda língua de ninguém mais há algum tempo, transcrevo abaixo o canto em espanhol, numa tradução belíssima, que mantém a magia dessa música medieval e tradicional – e, se não muito me engano, o “Dum Pater Familias” é cantado pelos padres na missa ao peregrino de Roncesvalles – quem passar por lá poderia me confirmar… E enquanto isso, tentarei colocar aqui no blogue o áudio.

“Cuando aquel buen Padre/ Rey que todo guía,/ A los doce apóstoles/ Los reinos cedía,/ Santiago a su Espana/ Santa Luz traía.

Primicia de mártires/ Entre los apóstoles,/ En Salem Santiago/ Mártir fue preclaro. (refrão)

De Santiago alcance/ Propicio destino,/ Galicia: su gloria/ Da feliz camino/ Para tantas preces/ De canto divino.

Oh Senor Santiago!/ Buen Senor Santiago!/ Eultreya! Esuseya!/ Protégenos, Dios!

A Santiago rinde/ Todo el mundo parias/ Soldado de Cristo,/ Con santas plegarias/ A todos defiende/ De suerte contrarias.

A Santiago clámanle/ Sus milagres santo,/ Y en riesgos y cárceles/ Invocan al Santo/ Cautivos que míranse/ Libres por el Santo.

Oh noble Santiago,/ Patrono valiente!/ Nuestros enemigos/ Tu poder ahuyente;/ Y haz que te agrademos/ Con fe reverente.

Por Santiago Apóstol/ Perdón esperemos/ Y, obsequiosos siempre,/ Las que le debemos,/ Dignas alabanzas/ Con amor le demos. Amén.”

Fonte: Liber Sancti Jacobi “Codex Calixtinus”, tradução ao espanhól por A. Moralejo, C. Torres e J. Feo, 2004, pp. 629-631.

Herru Sanctiagu, Grot Sanctiagu, E ultreia, e sus eia. Deus, adjuva nos.

Henrique Gerken Brasil


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