A Virgem da Barca de Pedra

novembro 4, 2009

Não se sabe quanto, mas muito tempo se passou em que o Apóstolo Santiago tentava inutilmente converter os galegos, até que um dia, sem ânimo, sentado nas rochas da praia de Muxia, pensava seriamente em desistir e retornar à Palestina para tentar caminhos mais fáceis.

De repente, com o olhar fixo no horizonte, viu aproximar-se uma barca que parecia vir de mais além do Fim do Mundo, inexplicavelmente começou a encher-se de uma estranha alegria e quando a barca estava bem próxima se deu conta que era de pedra e que nela estava Nossa Senhora em pessoa!

A barca atravessou a margem da praia e a Virgem dirigiu-se a Santiago, dando-lhe ânimo para seguir com sua tarefa, assegurando-lhe que tanto ela quanto seu filho estariam ao seu lado nos momentos mais difíceis. Dito isso, se esfumaçou no ar, não antes de deixar como prova de sua visita, uma imagem sua e os restos da barca de pedra que a havia trazido até ali, que ficaram espalhados pela praia por muitos séculos.

O fragmento que constituía a quilha é conhecido hoje como “A Pedra dos Cadrises”. Tem fama de ser remédio seguro para os males das costa, que melhoram totalmente se o doente se arrasta pelo buraco que a pedra deixa. A outra pedra é considerada o resto da vela, a chamam de “A Pedra d’Abalar” e é uma rocha plana e oscilante que se move quando quem pisa está livre do pecado, mas que permanece firmemente agarrada as outras rochas, se quem sobe nela é pecador insensível!

A visita de Nossa Senhora devolvei o ânimo ao Apóstolo e com grande entusiasmo voltou a sua tarefa evangelizadora, conseguindo algumas conversões!

DSC07289

Igreja da Virgem da Barca de Pedra

DSC07290

Pedra que supostamente pertenceu à barca de Nossa Senhora


A lenda do galo de Barcelos

novembro 1, 2009

Há algum tempo a Laila discorreu sobre a mui conhecida lenda do galo de Santo Domingo de la Calzada (clique aqui para relembrar).

Portanto, agora que cheguei na etapa de Barcelos nas jornadas do Caminho Português, acredito que vale a pena falar da lenda do famoso galo de Barcelos, que também é um símbolo de Portugal.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Ao que parece, há diversas lendas em diferentes cidades européias por onde passa o caminho que giram em torno do galo que cantou depois de assado. Com algumas variações, há a lenda em Toulouse, Santo Domingo, Barcelos, Utrecht, Winnenden. Todas, porém, tem base em um dos milagres de Santiago relatado no Calixtino (que vale um texto aqui depois). No século XIV já é relatada em Santo Domingo, enquanto em Barcelos a lenda é do século XVII. É uma confirmação, contudo, do passo do Caminho por Portugal.

Segue a lenda, nas palavras lusitanas diretamente saídas do sítio da internet do município de Barcelos:

“Os habitantes do Burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não ter descoberto o autor. Certo dia, apareceu um Galego que se tornou de imediato suspeito do dito crime, visto que ainda não tinha sido encontrado o criminoso. As autoridades condais resolveram prênde-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse para Santiago de Compostela em cumprimento de uma promessa como era tradição na época, e fosse devoto fiel de S. Paulo e da Virgem Santíssima.

“Por isso foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o havia condenado a tal destino. A autorização foi-lhe concedida, e levaram-no à presença do dito magistrado, que nesse momento se deleitava e banqueteava com os amigos. O galego reafirmou a sua inocência, e perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que se encontrava no centro de uma grande mesa, exclamando “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem“, perante gargalhadas e risos, não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.

“O que parecia impossível aconteceu. Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo ergueu-se na mesa e cantou! Após tal acontecimento mais ninguém duvidava da inocência do Peregrino. O Juiz correu à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz. Volvidos alguns anos, voltou a Barcelos e fez erguer um Monumento em louvor à Virgem e a Santiago.”

Cabe ressaltar que tal monumento em louvor à Virgem e a Santiago é um cruzeiro, que está devidamente protegido no Museu Arqueológico de Barcelos. Ao passar por Barcelos, inúmeros galos estão pela cidade, e, sabendo disso, o peregrino caminha sorridente, sabendo que está no caminho certo.

Curioso também é o fato de que o Caminho de Santiago está muito ligado à Espanha, porém um dos símbolos mais conhecidos de Portugal é justamente uma lenda jacobea.

E pra completar, um link para um post sobre essa lenda, do blogue Imaginação Ativa, muito bem escrito.

Abraços peregrinos,
Henrique


A lenda de Foncebadón

setembro 8, 2009

Foncebadón já foi uma importante localidade no Caminho.

Aparece em vários documentos do século X. Naquele local o eremita Gaucelmo, por volta de 1123 construiu um hospital e um albergue para os peregrinos que passassem pelo vale de Foncebadón.

Existem documentos datados de 1103, pelo qual Afonso VI, a pedido do próprio Gaucelmo concede imunidade a albergaria de Foncebadón e a Igreja de São Salvador de Irago. Da documentação medieval existente, se depreende que houve ali um hospital, uma igreja, a de Santa Magdalena e já referida de San Salvador. Posteriormente fixou–se na região uma comunidade de eremitas que passou a depender da junta de Astorga, a qual criou a dignidade de Abade de Foncebadón.

Conta a lenda que após muitos anos, com Foncebadón prosperando muito, um cigano chegou a este povoado e pediu abrigo. A população local não só o expulsou como terminou em linchamento e sua morte na fogueira (como era de costume na época). Porém, antes de morrer o cigano rogou uma maldição, a vila morreria com seus habitantes e nada mais prosperaria naquelas terras e que o próprio demônio tomaria conta em forma de cães ferozes.

Foncebadon... Esquecida no tempo...

Foncebadon... Esquecida no tempo...

Esta é uma lenda, mas o fato é que Foncebadón foi condenada a acabar, ficando durante muito tempo somente ruínas de um povoado há tempos próspero, e muitos peregrinos, até hoje, evitam passar por lá temendo a aparição dos tais cães ferozes que muitos já tiveram a oportunidade de presenciar!


A lenda do galo de Santo Domingo

julho 30, 2009

Conta a lenda, que há muitos e muitos anos um casal de peregrinos alemães estavam fazendo o caminho com seu filho de nome Hugonell. Ao se hospedarem em Santo Domingo de la Calzada uma camareira apaixonou-se pelo jovem que era muito bonito. Como este amor não fora correspondido, a camareira, numa terrível trama, escondeu entre os pertences de Hugonell uma taça de prata.

Acusado de roubo, o jovem fora condenado a forca (pena para roubo naquela época). Seus pais, desolados, continuaram a peregrinação até Santiago, na volta pararam em Santo Domingo e para grande surpresa o rapaz ainda estava na forca, porém, inexplicavelmente vivo. Os pais dirigiram-se ao juiz que condenara Hugonell e relataram o que viram. O juiz, num ato de deboche, disse que só acreditaria que o filho deles estivesse vivo se o galo que ele estava comendo cacarejasse. E o galo cantou! O jovem foi inocentado e o milagre atribuido a Santo Domingo.

Na Catedral de Santo Domingo de la Calzada encontra-se um belíssimo galinheiro em estilo gótico, onde vivem um imponente galo e uma galinha brancos que são substituidos a cada 30 dias. Estes galos e galinhas são criados em um galinheiro mantidos pela mesma confraria que mantém o albergue de peregrinos de Santo Domingo de la Calzada (aquele que foi visitado pela rainha Sofia em 1993) e que também guarda os restos da forca utilizada para enforcar o jovem Hugonell.

Dizem que ao entrar na Catedral e o galo ou galinha cacarejarem é sinal de muita sorte!

Santo Domingo de la Calzada, “donde el gallo ha cantado mismo despues de asado”.

DSC06604


Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.