22a Etapa: O Cebreiro – Triacastela (Padre Augusto)

setembro 17, 2009

Ao sair do albergue do Cebreiro fiquei sem ar diante de tamanha beleza na minha frente! O tempo estava aberto e fui agraciada com uma paisagem maravilhosa!

Saindo do Cebreiro

Saindo do Cebreiro

Caminhei até chegar ao Monumento aos Peregrinos que fica no Alto de São Roque a 1270m de altitude, e ali estava muito frio e neblina!

Neblina...

Neblina...

 

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Neste dia fez realmente muito frio, foi um dos dias mais frios para caminhar e junto com o frio muita lama! Pensei no Fabrício que estava fazendo o caminho de papete! Grande Fabrício!

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Em Triacastela tem muitos albergues, fomos à tienda onde vende–se de tudo e comprei uma Torta de Santiago (deliciosa) para o café da manhã seguinte.

Heiko (alemão) me convidou para ir à missa dos peregrinos e lá fomos nós… Chegamos na igreja e eu achei engraçado ver que ao lado havia muitos túmulos… era um cemitério junto à igreja!

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Eu e Heiko fomos até a porta e não havia ninguém, nos entreolhamos prontos a desistir da missa, quando surgiu uma figura sorridente e falante vestindo batina e praticamente nos “jogou” para dentro da igreja! Nos fez entrar na sacristia onde em uma estante guardava textos em todas as línguas! Encheu-me de poemas e textos em português e espanhol e para Heiko em alemão!

Durante a missa o padre escolheu um peregrino de cada nacionalidade para subir ao altar e participar lendo partes do sermão em seus idiomas… era inglês, alemão, espanhol, italiano e até japonês. O português ficou por minha conta, subi ao altar e mesmo sendo a única brasileira na igreja li em minha língua para todos os peregrinos que ali estavam…

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As palavras do padre Augusto  foram emocionantes, de uma grande simplicidade e uma profunda sabedoria, aquelas palavras tocaram meu coração! Heiko, mesmo sendo protestante, também ficou tocado com aquelas sabias palavras! O padre foi muito carinhoso e carismático, foi certamente mais um anjo para minha lista!

Um forte (mas muito forte mesmo) abraço e muitos beijos me fizeram mais uma vez me sentir amada e querida!

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Castelo de Ponferrada

setembro 10, 2009

Ponferrada recebeu este nome por causa de uma grande ponte de madeira construída sob o rio Sil na época da ocupação Romana na Península Ibérica.

Tempos depois, no século XII, na Reconquista Cristã, o Bispo de Astorga, Osmundo, fez reforçar a ponte com ferro devido à grande riqueza deste e outros minérios existentes na região, ficando conhecida como “Pons ferrata”.

Em 1178 o rei Fernando II de Leão doou Ponferrada e seus domínios aos Cavaleiros Templários que se apoderaram do Castelo.

Segundo conta a lenda os Cavaleiros vieram para Europa trazendo de Jerusalém (local onde teria sido iniciada a Ordem com o objetivo de proteger os peregrinos que ali chegavam) e com eles trouxeram documentos, riquezas e supostamente até o Santo Graal.

Graças à herança templária o castelo é um criptograma em pedra, repleto de signos e vinculações astronômicas. As 12 torres do castelo correspondem aos 12 signos do zodíaco. Em seu interior eram realizados ritos de iniciação e até hoje o Castelo estimula mentes fantasiosas de pessoas que ainda sonham em encontrar o tesouro desaparecido que pertenceu aos templários e quem sabe até a Arca da Aliança (onde a tábua dos 10 mandamentos foi guardada) e que se acredita estar até hoje em seus subterrâneos (até parece filme do Indiana Jones)!

Castelo de Ponferrada

Castelo de Ponferrada

Conta-se também que o castelo está ligado a outros castelos distantes mediantes túneis pelos quais os templários fugiam quando eram ameaçados.

Não sei ao certo o que é fantasia e o que é realidade, mas sei que estórias como essas deixam o Caminho de Santiago ainda mais fascinante e enigmático, transformando internamente muitos peregrinos que recebem o “tal Chamado” para aventurar – se neste Caminho mágico!


19a Etapa: Santa Catalina de Somoza – Riego de Ambrós

setembro 8, 2009

Acordei ansiosa pelo que estava por vir… A Cruz de Ferro estava à minha espera e dentro de mim muita coisa para ser deixada lá!

Desde o início da caminhada meu coração explodia de alegria, eram subidas e mais subidas e as montanhas com um colorido mágico! Com algumas flores fiz uma coroa para minha cabeça e caminhava com uma sensação de euforia que tomava conta de mim! Minha mochila parecia tão leve neste dia! Estava tudo perfeito…

Coroa de flores!

Coroa de flores!

Em Rabanal Del Camino parei em um bar para comer algo e encontrei cachorros enormes das montanhas mas que nem de longe davam medo (naquele dia nada me dava medo). Depois de comer e tomar um chocolate quente segui em direção ao misterioso pueblo amaldiçoado!

Cachorros das montanhas!

Cachorros das montanhas!

Cheguei a Foncebadón, um povoado que já esteve abandonado e cheio de ruínas, mas que para mim exalou uma energia quase palpável, eu andava pelas ruas numa simbiose perfeita, prestando atenção a cada detalhe, como se eu fizesse parte daquela paisagem!

Um povoado esquecido pelo tempo

Um povoado esquecido pelo tempo

Continuei subindo hipnotizada pelas gigantescas montanhas cobertas de flores coloridas como se estivessem sendo agraciadas com um manto dos anjos, meus olhos sorriam e dois sentimentos invadiam meu ser… o de grandeza, por estar ali, por ser uma vencedora de meus medos e inseguranças, por estar buscando a felicidade… e o de um ser pequeno diante de tão exuberante beleza, sentia como se pudesse ser engolida por aquelas montanhas, percebia a imensidão de nosso Criador, misturava–me naquele mar de cores e energia divina!

Perto de Deus

Perto de Deus

Subi até o ponto mais alto, 1504 m onde está a Cruz de Ferro! A emoção mais uma vez transportava os limites do corpo e as lágrimas saiam… Fiquei ali, parada diante daquele monte de pedras do mundo inteiro e me senti assim… do mundo, livre e sem fronteiras.

Sem fronteiras

Sem fronteiras

Deixei minha pedrinha trazida do Brasil! Era um peso muito grande ficando para traz! Fiquei lá por uns trinta minutos com meus amigos de caminhada e depois seguimos descendo 2,5 km até Manjarín.

Só alegria!

Só alegria!

Estava me sentindo tão leve que desci correndo com Heiko, apostando corrida. Meu joelho não doía, minhas costas não doíam, meus pés não doíam, enfim, estava ótima! Ri, cantei, gritei, dancei, parecia uma louca, mas louca de felicidade!

Depois de subir aos céus... hora de descer...

Depois de subir aos céus... hora de descer...

Em Manjarín fui ao Albergue do Tomás! Queria muito conhecer esta figura que chega ser um mito no caminho, na verdade um pouco doido, ou muito doido, mas o que é ser normal? Dizem que ele se considera um Cavalheiro Templário e recebe todos os peregrinos tocando um sino, mas infelizmente Tomás estava fora e nem por isso deixei de receber o meu badalo! O sino foi tocado pelo hospitaleiro!

Frank e eu

Frank e eu

O albergue é bem simples, sem água quente ou banheiro, por estar bem alto faz muito frio por ali!

O hospitaleiro me disse que só precisava de roupa e comida para ser feliz (que inveja). Fiquei um pouco por lá, tomei um chá com bolachas, acariciei um gatinho e depois segui feliz… muito feliz.

No albergue de Manjarin

No albergue de Manjarin

Um hospede especial!

Um hospede especial!

Decidimos ficar em Riego de Ambrós!

Nossa que dia! Foncebadón, Cruz de Ferro e Manjarín… 3 lugares mágicos em um só dia! Agüenta coração!


A lenda de Foncebadón

setembro 8, 2009

Foncebadón já foi uma importante localidade no Caminho.

Aparece em vários documentos do século X. Naquele local o eremita Gaucelmo, por volta de 1123 construiu um hospital e um albergue para os peregrinos que passassem pelo vale de Foncebadón.

Existem documentos datados de 1103, pelo qual Afonso VI, a pedido do próprio Gaucelmo concede imunidade a albergaria de Foncebadón e a Igreja de São Salvador de Irago. Da documentação medieval existente, se depreende que houve ali um hospital, uma igreja, a de Santa Magdalena e já referida de San Salvador. Posteriormente fixou–se na região uma comunidade de eremitas que passou a depender da junta de Astorga, a qual criou a dignidade de Abade de Foncebadón.

Conta a lenda que após muitos anos, com Foncebadón prosperando muito, um cigano chegou a este povoado e pediu abrigo. A população local não só o expulsou como terminou em linchamento e sua morte na fogueira (como era de costume na época). Porém, antes de morrer o cigano rogou uma maldição, a vila morreria com seus habitantes e nada mais prosperaria naquelas terras e que o próprio demônio tomaria conta em forma de cães ferozes.

Foncebadon... Esquecida no tempo...

Foncebadon... Esquecida no tempo...

Esta é uma lenda, mas o fato é que Foncebadón foi condenada a acabar, ficando durante muito tempo somente ruínas de um povoado há tempos próspero, e muitos peregrinos, até hoje, evitam passar por lá temendo a aparição dos tais cães ferozes que muitos já tiveram a oportunidade de presenciar!


18a Etapa: Hospital de Órbigo – Santa Catalina de Somoza

setembro 2, 2009

Dia muito tranqüilo! Entrei numa zona mais rural, o caminho estava lindo! A natureza me abençoava, o dia estava perfeito! Até dei uma paradinha para acariciar um bezerrinho (fofucho) e a todo o momento agradecia a Deus por estar vivendo tudo aquilo!

Pausa no caminho

Pausa no caminho

Caminhava feliz apreciando tanta beleza…

Em um determinado trecho vi alguém sentado embaixo de uma árvore em posição de Buda, num lugar lindo! Aproximei-me e percebi que era o Fabrício, sentei ao seu lado e ficamos um pouco admirando a natureza, depois seguimos juntos por um trecho, conversando muito!

Chegamos a Astorga, um pueblo encantador e ao passar em frente a um bar, com mesas e cadeiras para fora, vi Frank, Heiko, Tob e uns italianos, resolvi juntar–me a eles para uma refrescante cervejinha. Fabrício seguiu em frente. Descansei e até deu tempo para escrever no meu diário, sentia–me leve, como há muito tempo não sentia.

Pensar...escrever

Pensar...escrever

Ao levantar para seguir o Caminho encontrei o Eduardo (carioca) que estava com os pés bem machucados (com muitas bolhas). Mais um rápido papinho e pé na estrada!

Eduardo e eu

Eduardo e eu

Antes de sair de Astorga demos uma paradinha para ver a obra do famoso arquiteto Antoni Gaudí.

Antono Gaudí

Antono Gaudí

Continuei o caminho por um trecho asfaltado e me deparei com uma papoula que havia nascido no meio da calçada, então percebi que coisas muito belas podem nascer em lugares impróprios e nem por isso deixam de ser belas!

Beleza no asfalto!

Beleza no asfalto!

Estava muito sol… caminhei até Murias de Rechivaldo e na saída deste pueblo entrei no albergue, muito bonito, bebi algo refrescante – rsss – cerveja, e me preparei para enfrentar os últimos 5 km até minha parada final daquele dia!

Sem sombras... nem dúvidas

Sem sombras... nem dúvidas

Em Santa Catalina tentei ligar para o Breno e o Cadu (meus filhos), mas não consegui… Que saudades!

Cheguei!

Cheguei!

Mais um dia estava se despedindo para um novo, cheio de emoções que estava por vir!

                                                                                                         

“… percebi a mudança da paisagem, os verdes campos são lindos. Nada pude fazer frente à tentação de tirar a mochila e sentar na grama, na verdade era exatamente o que eu queria. Fechei os olhos e coloquei em prática minha audição mal acostumada às barulhentas ruas de Salvador. Provavelmente não consiga expressar esse sentimento, mas é simplesmente mágico ouvir a conversa dos pássaros e as carícias do vento nas folhas da oliveira como um recém nascido que ouve seu próprio choro pela primeira vez.” (Trecho do livro Caminhos do Fim do Mundo – Sentimentos de um peregrino / Autor Fabrício Cruz)


17a Etapa: León – Hospital de Órbigo (uma estória medieval)

agosto 31, 2009

Hoje o dia foi muito gostoso! Foi bom caminhar, a paisagem estava mais verde e muito agradável, meus olhos e minha alma sorriam.

Ao chegar a Hospital de Órbigo fiquei impressionada com a enorme ponte medieval, chamada de El Paso Honroso, que tem 204 m e 20 arcos. Conta a história que em 1439 o cavaleiro Suero de Quiñones e seus nove seguidores guerrearam bravamente durante um mês vencendo todos os aventureiros que tentassem atravessar a ponte! Este bravo cavalheiro medieval declarava-se prisioneiro de amor e para conseguir a graça de sua libertação jurou quebrar 300 lanças em um mês. Cumprido o prometido foram a Santiago e ofereceram ao santo um bracelete de ouro como agradecimento. Com isso Dom Suero ganhou poder e influência.

Ponte Medieval

Ponte Medieval

Essa estória só fiquei sabendo depois do Caminho e confesso que achei um tanto quanto sanguinária, mas ao me deparar com aquela ponte medieval minha imaginação fértil voou longe! Podia até ver os cavalheiros com suas armaduras luxuosas disputando jogos medievais e eu… uma princesa com direito a vestido longo e trança no cabelo assistindo a tudo! Que viagem!

Vista da Ponte

Vista da Ponte

 

Voltando a realidade, fiquei no albergue San Miguel, maravilhoso! Lá os peregrinos podiam deixar aflorar o espírito de artista (inspiração no Caminho não pode faltar) as paredes eram forradas de pinturas feitas por peregrinos e havia tinta a disposição de todos! Lamentei Fabrício não estar ali, já que há alguns dias ele me confessara estar sentindo falta de pintar!

Interior do albergue San Miguel

Interior do albergue San Miguel

O hospitaleiro era um espanhol muito divertido que falava português, pois vivera 2 anos surfando no Brasil, ele parecia um verdadeiro caiçara e me contou que fizera o Caminho no inverno! Confesso que me despertou uma imensa vontade de viver essa experiência!

Hospitaleiro e eu

Hospitaleiro e eu

Depois do jantar (no albergue mesmo) fomos jogar UNO e eu perdi feio… Estava muito feliz, sempre!

Preparando o jantar!

Preparando o jantar!

UNO!!!

UNO!!!


16a Etapa: Mansilla de Las Mulas – León

agosto 27, 2009

Hoje a etapa foi curta! Cheguei bem cedo ao albergue das freiras Benedictinas Carbajallas, muita gente e nada de travesseiro!

Fui conhecer a Catedral de León. Exuberante! Com seus 737 vitrais, considerados os mais belos da Europa. Mas como de costume, não consegui permanecer muito tempo em seu interior! Toda aquela grandeza em nome de Deus continuava a me incomodar!

Chegando em Leon

Chegando em Leon

Catedral de Leon

Catedral de Leon

Próximo a Catedral muitos bares aconchegantes (e bem caros), propícios para uma cerveja e um delicioso bocadilho.

Cerveja e bocadilho!!! Muito bom!!!

Cerveja e bocadilho!!! Muito bom!!!

À noite para minha surpresa encontrei com Judith (uma Australiana que eu havia visto pela última vez em Nájera). Fiquei muito feliz em reencontrá-la! Encontrei também a Ana e fomos juntas assistir à missa que tem início às 22 horas, onde as freiras fazem uma belíssima e comovente benção aos peregrinos (esta deve ser a única missa celebrada por mulheres).

Eu e Judith

Eu e Judith

Fui dormir e não tive uma noite muito agradável! Deve ter sido a falta do travesseiro!

Albergue de Leon

Albergue de Leon


15a etapa: Sahagún – Mansilla de Las Mulas

agosto 21, 2009

Fui acordada no albergue de Sahagún por volta das 06h30min por meu companheiro de caminhada, o alemão Frank. Eu não queria levantar, estava com muito sono. De muito mau humor levantei… Para piorar a situação o restaurante do albergue estava fechado, o que significava nada de café da manhã! Estava frio e o sono me incomodava, seria uma longa etapa de 36 km, 5 km até o próximo pueblo para o café da manhã! Ledo engano! O caminho não passava por dentro do próximo pueblo e seguimos em frente. Foram 10 km com fome e sono, numa reta que parecia não ter fim e sem nada para olhar!

 

Quando chegamos a um bar em Bercianos del Real Camino encontrei Frank, Heiko e Tob (alemães) e Judh (australiana), sentei com eles, comi 2 pedaços de torta e tomei um chocolate quente, mas o meu humor não havia melhorado…

Avisei meus amigos que eu queria caminhar sozinha, eles entenderam e eu saí em passos lentos! Caminhava ao lado de uma carreteira, num caminho com muita poeira e pedras, com o sol castigando impetuosamente e sem nenhuma sombra. O Caminho não estava bom e eu resmungava o tempo todo.

Após algum tempo caminhando, cheguei a uma cruz onde estavam Frank e Heiko à minha espera, e segui com meus amigos!

Heiko e eu

Heiko e eu

O caminho estava mesmo um porre, o sol muito forte e eu muito cansada. Fui o tempo todo resmungando no ouvido do Frank, porque o Heiko disparou na frente!

Depois de ter caminhado 29 ou 30 km cheguei a Reliegos, logo no início um bar e Heiko sentado embaixo de um guarda sol. Sorrindo ele me disse: “Aqui tem uma brasileira que ouviu falar de você, ela disse até seu nome.”

Até que em fim uma coisa boa naquele dia!!!

Entrei no bar a procura da tal brasileira e conheci a Ana, uma carioca de 1,50m com o pé em carne viva e que tinha feito os últimos 12,5 km de havaianas, pois seu pé não entrava na bota! Fiquei algum tempo com ela e depois me despedi e parti.

No caminho eu caí na real: Eu havia andado 30 km com os pés perfeitos e sem nenhuma dor e mesmo assim não tinha parado de reclamar!

Meu coração foi tomado por alegria e entusiasmo e eu comecei andar o mais rápido que pude. O Frank que me acompanhava perguntou por que eu estava correndo e eu expliquei que precisava chegar logo ao albergue, deixar minha mochila e voltar para ajudar a Ana, ele disse que eu era louca, mas uma boa peregrina, segurou minha mão e me fez andar ainda mais rápido! Quando olhei para o cí vi uma cruz e interpretei como mais um sinal!

Foram os 6 km mais velozes do meu caminho.

Uma cruz no céu

Uma cruz no céu

Chegamos ao albergue, joguei minha mochila na cama e voltei correndo, encontrando Ana depois de uns 4 km, andando pela carreteira com muita dificuldade. Peguei sua mochila e ela emocionada começou a me agradecer e eu disse que ela havia me ajudado muito mais. Depois de 1,5 km apareceu o Heiko e sorridente pegou a mochila para ajudar também.

Em Mansilla de las Mulas e depois de um banho gelado convidei a Ana para tomar uma canã com os alemães. Demos boas risadas e fui dormir com minha alma em paz, entendendo que minhas dores são sempre menores que de outras pessoas e agradecendo muito a Deus por me permitir estar vivendo tudo isso!!!

Momento de descontração depois de caminhar mais de 40 km

Momento de descontração depois de caminhar mais de 40 km

Eu e Ana (um anjinho no Caminho)

Eu e Ana (um anjinho no Caminho)


14a Etapa: Calzadilla de La Cueza – Sahagún

agosto 19, 2009

Acordei cedo e pé na estrada! Foi uma caminhada bem monótona, sem sombra e em caminhos não muito agradáveis! A poeira entrava pelo meu nariz e o sol castigava muito! Mesmo assim sentia-me feliz… o céu num azul maravilhoso, as nuvens que me acompanhavam e a brisa que de vez enquanto aparecia para acariciar meu rosto… As flechas amarelas sempre ali, para guiar meu caminho, sempre visíveis me direcionando para o invisível, para dentro de mim…

Siga as flechas

Siga as flechas

Em determinado lugar do caminho uma coisa no mínimo interessante aconteceu! Eu vi um gracioso burrinho que estava amarrado pastando, não sei porque mas não resisti… subi o morrinho que ele estava e fui acaricia-lo, ele pareceu gostar! Conversei um pouco come se ele me entendesse e ao descer para ir embora o burrinho começou a “gritar” muito alto, como se estivesse muito triste… Aquilo me arrepiou, fiquei com dó de deixá-lo mas precisava partir!

Bate papo com o burrinho... (coisas do Caminho)

Bate papo com o burrinho... (coisas do Caminho)

Hora de dizer adeus...

Hora de dizer adeus...

Chegamos a Saragum e decidi ficar no albergue privado, muito gostoso e confortável, com cozinha onde preparamos o jantar, como não sei cozinhar a louça sobrou para mim! O Fabrício, brasileiro que conheci em Calzadilla de La Cueza também ficou lá! Saí para telefonar e consegui falar com meus filhos (Breno e Cadu), a saudade deles apertou muito!

Albergue privado em Saragun

Albergue privado em Saragun

Depois do jantar sentamos no quintal do albergue eu, Frank, Tob e Heiko (alemães) e uma garota holandesa que jantou conosco e passaria sua última noite em albergue, pois estava desistindo do caminho e voltaria no dia seguinte para sua casa! Regada a muito vinho ficamos até tarde numa conversa deliciosa com amigos que talvez eu nunca mais encontre depois do caminho, mas que certamente estarão comigo em meus pensamentos e em meu coração para sempre!

Momento de descontração

Momento de descontração


13a Etapa: Frómista – Calzadilla de La Cueza

agosto 16, 2009

Saí cedo e por falta de atenção errei o caminho o que me fez caminhar um pouco a mais (isso me deixou bem irritada!)

Esse dia caminhei com uma nova amiga, a Judh, uma garota australiana que iniciara o caminho em Burgos, caminhei pensando muito na minha vida, a conversa com o Eduardo no dia anterior havia mexido muito comigo, estava muito emocionada e sentia muito a presença do meu avô (já falecido), era como se ele caminhasse comigo (coisas inexplicáveis do caminho).

Judh, Frank e eu

Judh, Frank e eu

Ao chegar a Carrion de Los Condes tem o albergue de Santa Clara, onde dizem que São Francisco de Assis ficou em sua peregrinação, uma estória mágica e romântica! Eu queria ficar ali, mas sentia-me muito disposta a caminhar e sabia que se ficasse iria me separar de Frank, Heiko e Judh e se isso acontecesse dificilmente os veria de novo, então resolvi seguir depois de carimbar minha credencial, comer um doce maravilhoso e me despedir, com dor no coração de Eduardo, com um abraço apertado e direito a fotografia, nos despedimos, desejando muita sorte um ao outro! Mais uma despedida, mais um amigo que deixo para trás!

Despedidas...

Despedidas...

 

Monastério de Santa Clara

Monastério de Santa Clara

Seriam mais 17 km e só um pequeno bar (se é que se pode chamar um trailer com uma mesinha no meio do caminho de bar), parecia que não chegava nunca, sem sombras o caminho foi muito cansativo.

17 km sem nenhuma sombrinha

17 km sem nenhuma sombrinha

Cheguei a Calzadilla de La Cueza exausta, mas ao chegar ao albergue fiquei feliz ao saber que o hospitaleiro era um brasileiro, o baiano Neném que me contou muitas estórias do caminho! Foi lá que conheci Fabrício, também baiano de Salvador, jantamos juntos no restaurante um gostoso Menu Del Peregrino, mal sabia que Fabrício, apesar de caminharmos pouco juntos, mas nos encontrarmos em muitos pueblos, seria um grande amigo no meu Caminho.

Neném, eu e outro brasileiro que trabalha no restaurante

Neném, eu e outro brasileiro que trabalha no restaurante


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