Caminho Português – 20a Jornada: Barcelos a Vitorino de Piães

novembro 9, 2009

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Nesta etapa, o ambiente fica definitivamente galego. Cada vez mais parece que o caminho fica mais verde e com pequenos e esparsos povoados. Nossa etapa tem uns 20 km, mas os guias sugerem uma etapa até Ponte de Lima, num percurso de quase 35 km, com duas subidas no meio. Há quem consiga, mas eu não… ; ) Muito por isso, cai do céu, literalmente, a acolhida que faz Fernanda e sua família em Vitorino de Piães. Acredito que não há outra acolhida tão sincera em todo o Caminho Português, e digo mais, no Caminho Francês.

O caminho em Barcelos passa ao lado da Igreja do Senhor da Cruz, e depois de atravessar duas rodovias, continua em direção de Vila Boa, onde há uma simpática igreja, e ainda atravessa a linha férrea. A esta altura, os campos já dominam o ambiente. Passamos pela capela de São Sebastião e pela capela de Santa Cruz – já é possível também perceber que a religiosidade vai aumentando conforme nos aproximamos da Galícia.

Von Caminho de Santiago Português 2009

O caminho então alterna-se entre bosques, campos e povoados. Muito lentamente, vai-se notando um leve ascenso. Num certo momento, vê-se uma placa indicando mais uma igreja, a de Tamel São Pedro Fins, que fica a uns 400 m do caminho, que a essa altura segue uma estrada. Por uma razão que não entendo, o caminho segue essa estrada até Bouças, ao invés de passar por essa igreja, numa rua rural, que também sai em Bouças. Aqui, o ascenso já forte, e chegamos num dos pontos altos, em cujo cume está a Igreja de Portela, onde em frente há um antigo cruzeiro com um cajado e cabaça esculpidos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de um pequeno trecho pela estrada, voltamos a atravessar um bosque, e por fim chegamos em Aborim, já em descenso. Passamos por uma moderna igreja, e descemos até um cruzeiro e uma árvore enorme. Mais uma vez atravessamos a linha férrea, e começamos a seguir a rua chamada Caminho de Santiago – para ninguém se perder. Há em frente um longo e verde trecho rural. Eventualmente passamos por dois curtos trechos de rodovia, para voltar novamente ao cenário rural, e finalmente chegar a um ponto simbólico deste caminho: a Ponte das Tábuas. De raízes romanas, mas de estrutura medieval, esta ponte já era citada em documentos do século XII. O relato mais antigo do caminho português, do padre italiano Confalonieri, do século XVI, também cita a ponte, aliás, relata que parou ao seu lado para descansar e comer. Aqui podemos ter certeza que estamos nos mesmos passos dos antigos peregrinos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Imediatamente após a ponte, há um pouco de confusão. Os guias indicam várias possibilidades para seguir, mas eu apenas encontrei um caminho sinalizado. A alternativa seria entrar imediatamente depois da ponte à esquerda. As flechas, porém, mandam seguir em frente. Ambos cairão na autoestrada, já no povoado de Balugães. A primeira alternativa deixa o peregrino mais perto do Santuário de N. Sra. Aparecida, que já era avistada de longe momentos antes. A segunda já sai no meio do povoado. Há uma igreja antiga no povoado, românica, mas as flechas amarelas ignoram as placas avisando da igreja. Mas não há problema de se visitar essas duas igrejas, pois não estão muito fora do caminho. Depois de Balugães, o peregrino sai novamente na autoestrada, na altura de uma fonte d’água e uma capela de São Sebastião. Aliás, há uma boa fonte no povoado, mas não há nenhum bar, assim como nas localidades anteriores. Por isso, o peregrino deve sair bem provisionado de Barcelos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Passando a capela, onde aliás há um belo espaço para um merecido descanso, o caminho segue por uma estradinha rural até chegar em Vitorino de Piães, mais precisamente uma localidade chamada Lugar do Corgo, onde está a casa da Fernanda. Caso o peregrino queira ficar ali, e recomendo vivamente, é preciso prestar atenção, pois não há sinalização. Depois da capelinha na estrada, a casa da Fernanda fica no primeiro cruzamento com casas que se depara. O portão está sempre aberto, e caso não haja ninguém em casa, basta esperar um pouco. Acreditem, dificilmente haverá outra acolhida tão jacobea pelo resto do caminho. Fernanda, seu marido Jacinto e sua filha Mariana recebem de braços abertos os peregrinos, sem cobrar nada em troca, a não ser uma boa conversa e convivência. E fica aqui um grande abraço a esta estimada família peregrina.

Jantar peregrino na Casa da Fernanda

Jantar peregrino na Casa da Fernanda


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