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Esta etapa é freqüentemente comparada com a etapa d’O Cebreiro no Caminho Francês, muito porquê possui o ponto mais alto do Caminho Português. Mas, na minha opinião, a comparação fica por aí. A etapa tem uns 19 km, e uns 400 metros de desnível. Porém, a subida é lenta e gradual, e muito bem administrável. Apenas os metros finais são puxados e a subida é extremamente íngreme. E quase toda se passa por trilhas florestais, o que deixa a etapa muito agradável, e uma das melhores e mais recompensante de todo o caminho.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
A saída de Ponte de Lima é agradabilíssima, já que o peregrino cruza a medieva ponte no amanhecer, num cenário inesquecível. Do outro lado da ponte passamos pela Capela do Anjo da Guarda e da Igreja da Torre, virando depois dessa à direita em busca de um caminho rural que logo segue um riacho. Cruzamos duas autopistas, e passamos pela Quinta do Sabadão, cujo portão é impressionante.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
Continuamos o caminho rural até Arcozelo e vamos seguindo pelos campos em direção ao Rio Labruja. A travessia coincide com um grande viaduto da autoestrada, e é feita através de um pontilhão improvisado que não dá muita confiança. O caminho vai seguindo o rio, e por vezes é possível ouvir o barulho de quedas.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
O ascenso já começa, devagar. Vamos seguindo o rio pelo alto até sairmos de novo em uma estrada, na altura do povoado de Arco. Seguimos brevemente pela estrada, num cenário muito bonito, de campos e serras. Ao chegar na capela de N. Sra. das Neves, saímos da estrada para continuar subindo morro acima numa rua menor. Ao lado da capela há o último bar no caminho até Rubiães, então é bom aproveitá-lo.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
A subida vai lentamente se acentuando, e eventualmente saímos do asfalto e deixamos os povoados para trás. Passamos pela fonte das 3 bicas, cuja água é potável e incrivelmente refrescante. A trilha se torna exclusivamente florestal, e já podemos ver os povoados de longe. Depois de um bom trecho, saímos à esquerda para um trilha mais íngreme e menor. A partir daqui, convém ter mais cuidado com as pedras soltas. Próximo do ponto mais alto, passamos pela cruz dos franceses, já cheia de pedrinhas deixadas pelos peregrinos. Ali, o pior da subida já passou.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
E como que tudo que sobe tem que descer, seguimos ladeira abaixo num cenário bem similar ao da subida. Não tarda para os primeiros povoados apareceram e ouvirmos o badalar de igrejas no vale. É muito bonita a vista da igreja de Aqualonga, no outro lado do vale. Continuamos nosso descenso, e passamos até por uma antiga ponte romana. Ainda falta uma pequena subida para chegarmos em São Roque, onde há uma pensão alternativa para peregrinos, e seguimos no último trecho de trilha, passando primeiro por detrás da igreja românica de Rubiães, e em seguida, o belo albergue de peregrinos, de dar inveja a qualquer albergue.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
Escrito por Henrique Gerken Brasil 