2a Etapa: Roncesvalles a Larrasoaña

julho 20, 2009

Fui acordada às 6:30 da manhã por um senhor que cantava pelos corredores de beliches um “Aleluia” bem alto. Saí por volta das 7:00hrs acompanhada por dois brasileiros, o pai Tomé e o filho Junior, dois catarinenses.

cadastro para entrar no albergue de Roncesvalles

cadastro para entrar no albergue de Roncesvalles

despertar no albergue de Roncesvalles

despertar no albergue de Roncesvalles

O caminho foi fácil. Paramos em Burguete para um gostoso café da manhã e seguimos por lindos bosques de Carvalhos e Pinheiros. Depois de 22km chegamos à Zubiri, onde me despedi dos meus amigos e segui sozinha, sem enxergar nenhum peregrino a frente ou atrás. Cheguei a Larrasoaña. Tirei minhas botas e deixei meus pés livres.

Ao entrar no albergue e entregar minha credencial ao hospitaleiro, o susto: estava com a credencial do Adelino (com quem havia cruzado os Pirineus) e provavelmente ele com a minha! Haviam sido trocadas no albergue de Roncesvalles! Foi aí que lembrei que havia ganhado outra da Kátia (meu anjo me ajudara). Que alívio!

Era a única brasileira no albergue e constatei  que no caminho não tem idioma… todos falam a língua do caminho, a língua do amor, onde todos se entendem. É a união dos povos!

Laila


Ultreya e Suseya!

abril 28, 2009

Estava cá folheando a esmo meu Código Calistino, e acabei por encontrar o canto medieval, considerado o mais antigo conhecido, chamado “Dum Pater Familias” – também conhecido com “Canto de Ultreya” e “Canção dos Peregrinos flamengos”. Muito interessante o fato por si só, porém, há algo mais: é desse canto que surgiu a expressão “ultreya y suseya”, tão usado até hoje pelos peregrinos, como uma saudação de bom caminho. E, ainda, também era o grito dos cruzados.

A expressão na verdade significa “para frente e para cima”, em latim: “y ultra ea, y sus ea”. Com o tempo – e haja tempo, desde 1080 – o canto foi sofrendo alterações e chegou até nós “ultreya e suseya”. Como latim não é a segunda língua de ninguém mais há algum tempo, transcrevo abaixo o canto em espanhol, numa tradução belíssima, que mantém a magia dessa música medieval e tradicional – e, se não muito me engano, o “Dum Pater Familias” é cantado pelos padres na missa ao peregrino de Roncesvalles – quem passar por lá poderia me confirmar… E enquanto isso, tentarei colocar aqui no blogue o áudio.

“Cuando aquel buen Padre/ Rey que todo guía,/ A los doce apóstoles/ Los reinos cedía,/ Santiago a su Espana/ Santa Luz traía.

Primicia de mártires/ Entre los apóstoles,/ En Salem Santiago/ Mártir fue preclaro. (refrão)

De Santiago alcance/ Propicio destino,/ Galicia: su gloria/ Da feliz camino/ Para tantas preces/ De canto divino.

Oh Senor Santiago!/ Buen Senor Santiago!/ Eultreya! Esuseya!/ Protégenos, Dios!

A Santiago rinde/ Todo el mundo parias/ Soldado de Cristo,/ Con santas plegarias/ A todos defiende/ De suerte contrarias.

A Santiago clámanle/ Sus milagres santo,/ Y en riesgos y cárceles/ Invocan al Santo/ Cautivos que míranse/ Libres por el Santo.

Oh noble Santiago,/ Patrono valiente!/ Nuestros enemigos/ Tu poder ahuyente;/ Y haz que te agrademos/ Con fe reverente.

Por Santiago Apóstol/ Perdón esperemos/ Y, obsequiosos siempre,/ Las que le debemos,/ Dignas alabanzas/ Con amor le demos. Amén.”

Fonte: Liber Sancti Jacobi “Codex Calixtinus”, tradução ao espanhól por A. Moralejo, C. Torres e J. Feo, 2004, pp. 629-631.

Herru Sanctiagu, Grot Sanctiagu, E ultreia, e sus eia. Deus, adjuva nos.

Henrique Gerken Brasil


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