Caminho Português – 27a Jornada: Pontevedra a Briallos

dezembro 26, 2009

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A caminhada vai lentamente chegando ao fim, e esta etapa, de cerca de 18 km, é sem dúvida uma das mais bonitas. Pontevedra, por si só, já é uma preciosidade. Como o albergue fica na entrada da cidade, temos que atravessá-la por inteiro na saída. Passamos em frente, por óbvio, da Igreja da Virgem Peregrina e da Igreja de São Francisco. Em seguida passamos por ruelas estreitas até chegarmos ao rio. Ali há uma réplica de um marco miliário romano, que foi encontrado numa escavação à beira da ponte. Ou seja, estamos no caminho correto. Atravessamos o rio Lerez pela Ponte do Burgo, que substituiu a ponte romana que deu nome à cidade.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de um breve trecho urbano, paralelo à linha férrea, entramos numa área pantanosa. Logo chegamos ao povoado de Alba, onde há uma antiga igreja e um cemitério. Mais um trecho urbano e passamos pela localidade de San Caetano, junto a uma capela. Em seguida, novamente um trecho, mais longo, de área alagada, junto ao rio Gándara. O trecho, de uns 4 km, é lindo, e sob a trilha, de pedra, corre água. Em alguns pontos a vegetação recobre a trilha, fazendo um túnel. Há outros momentos que o rio forma pequenas lagoas, e o cenário é bem propício para uma parada, para respirar um pouco e esquecer o barulho das cidades.

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Depois deste belo trecho saímos em San Mauro, que me pareceu mais apenas um punhado de casas em torno de um cruzamento de vias. Há um bar ali, que clama por uma parada, já que depois há a única subida da etapa. Para coroar a subida, há um pequeno povoado, o da Portela, e uma bela igreja no alto, cuja torre lembra as de Santiago. Ao lado da igreja há um albergue alternativo, simples e correto, com dezenas de colchonetes. O caminho segue sob asfalto, mas um tanto solitário ainda, e com menos florestas. Por um trecho caminhamos ao lado de uma rodovia e depois de uma trilha florestal saímos numa rodovia, da qual prontamente desviamos.

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A região é claramente produtora de vinhos, pois a partir de então só caminhamos entre os vinhedos, formando às vezes túneis de parreiras. Já estamos perto do albergue, no concelho de Briallos. Quando chegamos no povoado de Cruceiro – mais uma vez casas em volta de um cruzamento de vias, damos de cara com uma placa indicando a direção do albergue, que dista 1 km do caminho – mas não me pareceu tanto. O albergue é excelente, e um tanto vazio – normalmente os peregrinos vão direto pra Caldas de Rei, uns 5 km de Briallos, onde não há albergue, mas tradicionalmente indicada em guias. Falta pouco.

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Caminho Português – 26a Jornada: Redondela a Pontevedra

dezembro 20, 2009

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Cada vez mais sentimos a aproximação de Santiago. As referências ao caminho estão presentes a todo o momento. É possível sentir a fundo a Galícia, com sua chuva e umidade, além dos trechos florestais. Pena que são curtos, mas pelo menos há aos montes. Esta etapa é também curta – e depois de mais de 3 semanas caminhando, 18 km não assustam muito. Saímos do albergue de Redondela e caminhando pelas ruas estreitas do centro histórico, desviamos alguns metros para passar em frente à Igreja de Santiago, que no momento estava fechada, mas seus sinos trabalhando. Passamos por debaixo de um dos enormes viadutos férreos que marcam a cidade e depois atravessamos a autoestrada para seguir o caminho por ruas mais tranquilas, e sempre próximo da Ría de Vigo. Poucos quilômetros depois do início começa uma leve subida. E logo há uma área de descanso – que parece estar no lugar perfeito, na hora certa. Há uma fonte com vieiras e um belo cruzeiro de Santiago. Deste ponto até Pontesampaio, o próximo vilarejo, o caminho segue por uma trilha no alto, de onde podemos ver a Ría, os povoados pesqueiros, criação de ostras. Um belo presente para começar o dia.

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Depois desse pequeno trecho verde iniciamos uma descida em direção a Arcade e Pontesampaio. Uma pequena caminhada urbana nos leva à ponte Sampaio, construída no final do século XVIII, e palco de uma batalha entre espanhóis e tropas napoleônicas na época da invasão francesa. É um episódio de orgulho, pois os espanhóis conseguiram impediu os invasores. Em seguida, voltamos a subir e passamos por uma trilha entre campos e riachos. Em certos momentos nota-se ainda grandes paralelepídos típicos das calcadas romanas, cujo traçado ainda seguimos. A trilha e a subida são deveras longas.

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Ao fim da trilha voltamos a uma caminhada urbana, mas bem tranquila, pois é feita por ruas pouco movimentadas. Logo entramos no perímetro urbano do município de Pontevedra, e após atravessarmos uma autoestrada e passar por debaixo do viaduto férreo encontramos o albergue, mais um muito bem feito e cuidado. No entanto, está longe do centro, o que nao impede uma visita à Igreja da Virgem Peregrina – cujo planta tem forma de vieira -, ao Convento de São Francisco e à Basílica de Santa Maria Maior. No dia seguinte, o peregrino ainda passa pela réplica de um miliário romano que foi achado à base da ponte do Burgo. Não à toa que Pontevedra é considerada a capital do Caminho Português.

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Caminho Português – 25a Jornada: O Porriño a Redondela

dezembro 18, 2009

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Nesse dia perdemos nossa manhã graças ao triste episódio do dia anterior, quando sumiu nosso aparelho de GPS. Além de termos procurado em tudo quanto é canto, fui também à prefeitura para fazer com a polícia um boletim de ocorrência. Aparentemente, a polícia de lá é um tanto parecida com a daqui e não mostraram muito empenho em fazer alguma coisa.

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De todo modo, a etapa até Redondela é de tiro curto, uns 15 km. O sugerido em guias é sair de Valença/Tuí e ir direto a Redondela, o que soma mais de 31 km. Mas para quem não tem pressa… A saída d’O Porriño é como a chegada, pela estrada, em meio a caminhões. Há um e outro desvio, mas eventualmente cruzamos a autoestrada e seguimos em direção a Mos, passando por alguns povoados. Em Mos há um simpático albergue, bem cuidado, cujas chaves estão com a dna. Flora, que cuida do mercado em frente. A igreja de Mos, românica, chama a atenção.

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Em Mos há um simpático albergue, bem cuidado, cujas chaves estão com a dna. Flora, que cuida do mercado em frente. A igreja de Mos, românica, chama a atenção. Aqui começa uma leva subida, que apesar de não ser muito forte, é prolongada. Ao menos não estamos mais dividindo o caminho com tráfico. Deste ponto até a entrada de Redondela o trecho é bastante verde e há um e outro cruzeiro ou cruz para indicar o caminho certo.

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Ao fim da subida, já podemos ver a Ría (baía) de Vigo, numa esplêndida visão do vale. A descida é tranquila, o cenário ainda é o mesmo, algumas casas, carvalhos antigos, algumas parreiras… É a Galícia. Saímos dessa ambiente e caímos direto na estrada, mas por um pequeno trecho, e entramos na cidade ao lado do Convento de Vilavella. Para chegar ao albergue, basta seguir reto pela avenida em frente, até chegar num largo. O albergue é uma antiga construção reformada e sem dúvida está na lista dos melhores albergues da Galícia. Logo atrás do albergue está a igreja de Santiago.

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Caminho Português – 24a Jornada: Valença do Minho a O Porriño

dezembro 7, 2009

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… e o Caminho dá seus últimos passos em terras lusas. Senti um grande aperto no coração, devo admitir, pois já estava acostumado com o ritmo português, e sabia que isso iria mudar, pois a partir de Tuí a peregrinação toma um estilo diferente, imposto pela valorização do caminho feito pela Xunta de Galícia. Nada contra, mas é diferente do caminho em Portugal.


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Saímos do albergue, e ao invés de seguirmos as flechas e caminhar pela avenida dos bombeiros, simplesmente a atravessamos e subimos em direção à fortaleza. Oras, muito provavelmente o caminho seguia por ali, e não pela avenida. Por quê evitar as muralhas? Vimos um lindíssimo alvorecer, do alto das muralhas, a iluminar o rio Minho, fronteira natural entre Portugal e Espanha, com Tuí ao fundo, como se vigiando a fronteira, seu trabalho há séculos.

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Depois de atravessar a ponte internacional do Minho (antigamente a travessia era por barco) chega-se no casco antigo de Tuí, de ruelas estreitas e ambiente ainda medieval. A catedral lembra uma fortaleza, algo do gênero da igreja de Portomarin. A visita é obrigatória. Seguimos pelas ruelas, até sair da parte antiga. Passamos por mais uma ponte medieval, da Veiga, mas não a atravessamos. Em seguida, uma capelinha, e atrás dela um trecho de asfalto. O caminho segue pela estrada, a beira de uma floresta. Eventualmente entramos nela e chegamos num ponto famoso, a ponte das Febres, onde San Telmo adoeceu quando ia a Santiago (está enterrado na catedral de Tuí). Excelente ponto de descanso. Aliás, é um dos poucos pontos verdes desta etapa.

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Passamos por Ribadelouro, onde há diversos cruzeiros para a romaria de Magdalena. Há também os restos de uma ponte medieval. Em seguida, talvez o pior trecho possível para o caminhante. Longos 6 km através de um polígono industrial, que parece interminável. O próprio povoado de O Porriño não é lá muito simpático, pois está esprimido pelas indústrias e rodovias. O albergue fica à esquerda do caminho, atravessando a linha férrea e o rio Louro.

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Tivemos aqui nosso pior momento, pois nos foi furtado nosso aparelho de GPS dentro do próprio albergue. Fizemos um boletim de ocorrência na polícia, que não pareceu se importar muito. O albergue é muito bem montado, mas não havia hospitaleiro ali, o que deixa todos os peregrinos à mercê de ladrões. Lamentável. Hoje eu aconselharia ao peregrino ir até Mos, uns 8 km à frente, cujo albergue é mais simpático e é cuidado pelos moradores do pequeno povoado.


Caminho Português – 23a Jornada: Rubiães a Valença do Minho

dezembro 3, 2009

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Esta etapa é relativamente curta, de uns 18 km, com uma subida logo depois de Rubiães, e em seguida, só descenso. Indicamos aqui como parada final a cidade de Valença do Minho, apesar dos guias e muitos peregrinos seguirem adiante alguns quilômetros para já entrar na Espanha e ficar em Tuí. Creio que vale a pena a parada em Valença. Em primeiro lugar, como forma de despedida de tantos dias e quilômetros em terras lusitanas, de tão boa acolhida. Segundo, há um albergue perto de divino, terceiro, há uma cidadela medieval em excelentes condições em plena vida, e quarto, o albergue de Tuí tem maior probabilidade de estar mais cheio, já que muitos começam o caminho português ali.

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Mas vamos ao que interessa: ao sair do refúgio pela estrada, logo fazemos um desvio à esquerda para entrar em campos de cultivo. Interessante é que recentemente (creio) a trilha entre os campos foi reformada, e parece muito uma estrada romana, de paralelepídos. Pelo que li em um guia antigo, a trilha tinha grande probabilidade de estar alagada pela proximidade de um rio. Enfim, a estrada rural dá na ponte de Peorado, romana, na foto acima – desculpem pela ruindade da foto, mas a ponte está devidamente escondida pelas árvores. Logo depois da ponte está o café-bar-mercado, que serve muito bem para o pequeno almoço, caso você nao tenha aproveitado a cozinha do albergue. E caso você precise de mantimentos, é ali que você consegue algo (mesmo para o jantar da noite anterior, pois está a 1 km do refúgio). O caminho segue igual, pela antiga rota romana até São Bento da Porta Aberta, passando pelo povoado de Pecene, onde há a capela da Sra. do Alívio.

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Na frente da Igreja de São Bento há mais um bar perfeito para um descanso. O caminho segue ao lado da Igreja e descemos por uma trilha florestal. Passamos por ali num domingo, e curiosamente, fizemos nossa descida ao som da missa de domingo, que ecoava no vale, vindo dos altos-falantes da igreja de Fontoura, um pouco à frente. Essa igreja fica no meio do campo, e se a vê de longe. Mas ao caminho está a Capela do Senhor dos Aflitos, em cujo jardim encontra-se uma homenagem a um peregrino ilustre do Caminho Português. Atrás da capela há ainda um cruzeiro antigo de Santiago. Estamos na rota certa.

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O caminho segue tranquilo por trechos florestais, campos e eventualmente mais uma ponte romana-medieval, mais discreta, em Pedreira. Quando chega uma estrada, sabemos que Valença está logo ali. O bom da etapa – árvores, campos, sombra – acaba aqui, e o final é todo sob asfalto, num calor de rachar. Não há perigo de se perder aqui, está tudo bem sinalizado, e o peregrino atravessa todo o bairro de Arão, passando por duas capelinhas. Só convém ter mais atenção depois de atravessar a ferrovia. Há de se seguir à direita, e depois à esquerda antes do viaduto da mesma ferrovia. As flechas levam o peregrino direto para Tuí, sem passar pela cidadela – um sacrilégio, na minha opinião. Portanto, se você quiser ficar no último albergue português, você deve virar à esquerda na avenida dos Bombeiros, caminhando ao lado das muralhas da fortaleza, até chegar no albergue.

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Caminho Português – 22a. Jornada: Ponte de Lima a Rubiães

novembro 21, 2009

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Esta etapa é freqüentemente comparada com a etapa d’O Cebreiro no Caminho Francês, muito porquê possui o ponto mais alto do Caminho Português. Mas, na minha opinião, a comparação fica por aí. A etapa tem uns 19 km, e uns 400 metros de desnível. Porém, a subida é lenta e gradual, e muito bem administrável. Apenas os metros finais são puxados e a subida é extremamente íngreme. E quase toda se passa por trilhas florestais, o que deixa a etapa muito agradável, e uma das melhores e mais recompensante de todo o caminho.

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A saída de Ponte de Lima é agradabilíssima, já que o peregrino cruza a medieva ponte no amanhecer, num cenário inesquecível. Do outro lado da ponte passamos pela Capela do Anjo da Guarda e da Igreja da Torre, virando depois dessa à direita em busca de um caminho rural que logo segue um riacho. Cruzamos duas autopistas, e passamos pela Quinta do Sabadão, cujo portão é impressionante.

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Continuamos o caminho rural até Arcozelo e vamos seguindo pelos campos em direção ao Rio Labruja. A travessia coincide com um grande viaduto da autoestrada, e é feita através de um pontilhão improvisado que não dá muita confiança. O caminho vai seguindo o rio, e por vezes é possível ouvir o barulho de quedas.

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O ascenso já começa, devagar. Vamos seguindo o rio pelo alto até sairmos de novo em uma estrada, na altura do povoado de Arco. Seguimos brevemente pela estrada, num cenário muito bonito, de campos e serras. Ao chegar na capela de N. Sra. das Neves, saímos da estrada para continuar subindo morro acima numa rua menor. Ao lado da capela há o último bar no caminho até Rubiães, então é bom aproveitá-lo.

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A subida vai lentamente se acentuando, e eventualmente saímos do asfalto e deixamos os povoados para trás. Passamos pela fonte das 3 bicas, cuja água é potável e incrivelmente refrescante. A trilha se torna exclusivamente florestal, e já podemos ver os povoados de longe. Depois de um bom trecho, saímos à esquerda para um trilha mais íngreme e menor. A partir daqui, convém ter mais cuidado com as pedras soltas. Próximo do ponto mais alto, passamos pela cruz dos franceses, já cheia de pedrinhas deixadas pelos peregrinos. Ali, o pior da subida já passou.

Von Caminho de Santiago Português 2009

E como que tudo que sobe tem que descer, seguimos ladeira abaixo num cenário bem similar ao da subida. Não tarda para os primeiros povoados apareceram e ouvirmos o badalar de igrejas no vale. É muito bonita a vista da igreja de Aqualonga, no outro lado do vale. Continuamos nosso descenso, e passamos até por uma antiga ponte romana. Ainda falta uma pequena subida para chegarmos em São Roque, onde há uma pensão alternativa para peregrinos, e seguimos no último trecho de trilha, passando primeiro por detrás da igreja românica de Rubiães, e em seguida, o belo albergue de peregrinos, de dar inveja a qualquer albergue.

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Caminho Português – 21a. Jornada: Vitorino de Piães a Ponte de Lima

novembro 13, 2009

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Esta etapa é tranqüila, bonita até e tem como final uma das grandes cidades do Caminho Português, que é Ponte de Lima. A etapa é curta, beirando os 15 km, com um leve ascenso no meio. Pouco, mas se somada à etapa anterior, beira os 35 km, que para alguns pode ser demais. De todo modo, a divisão da etapa de Barcelos a Ponte de Lima é uma mera sugestão. A saída da casa da Fernanda e bem sinalizada e acabamos por sair na igreja matriz de Vitorino, e ao lado dela há um cemitério antigo.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de Vitorino, o caminho segue em leve ascenso e passa por trilhas, até chegar no alto da Albergaria. Em seguida, após um breve trecho de estrada, entramos novamente numa pista florestal que nos leva a campos de cultivo. Ali, no meio do cruzamento de dois caminhos no campo, há mais uma capela de São Sebastião, e, em frente, uma alminha de São Tiago em azulejos.

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O trecho rural logo acaba, mas o caminho segue por vias asfaltadas de pouquíssimo tráfego, atravessando pequenos povoados. Num deles, chama atenção um antigo cruzeiro, que mais uma vez nos mostra que estamos no caminho correto. Cruza-se mais uma antiga ponte e logo depois há a capela de N. Sra. das Neves e um cruzeiro. Entra-se na chamada Ecovia, uma rua murada e coberta por estruturas para receber as vinhas. Em linha reta, chega-se ao rio Lima, e caminha-se paralelo a ele. Há de se prestar atenção, pois se o peregrino quiser ficar na Pousada da Juventude, deve-se virar à direita antes da Igreja de N. Sra. da Guia. Recentemente foi aberto o mais novo albergue de peregrinos do Caminho Português, justamente em Ponte de Lima, e fica após cruzar a ponte.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Não falta atrações em Ponte de Lima, a começar pela belíssima ponte romano-medieval – que lembra um pouco a enorme ponte de Hospital de Órbigo no Caminho Francês. A cidade era murada e tinha 9 torres, mas nada sobrou da muralha, e apenas uma torre sobreviveu aos tempos. Mas há diversos edifícios antigos ainda de pé, e o peregrinos pode ter certeza que a cidade foi testemunha dos passos dos peregrinos desde a idade média.

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Nota do Albergue de Ponte de Lima

novembro 12, 2009

Uma nota quentinha, de 3 dias atrás, sobre o albergue de Ponte de Lima segue abaixo. Acredito que o mais interessante da nota é a previsão de mais um albergue em S. Pedro Fins de Tamel, entre Barcelos e Ponte de Lima, trecho que eu disse ser demasiado longo – mas que de todo modo tem a possibilidade de acolhida na Casa da Fernanda; além desse possível novo albergue, outros dois também são previstos no Caminho da Costa. Notícias animadoras. A nota é da página do Concelho de Ponte de Lima (original aqui).

“I Encontro de Hospitaleiros e Albergues do Caminho Português para Santiago de Compostela
Turismo| 09 de Novembro de 2009

O Albergue de Peregrinos de Ponte de Lima fez-se representar, no passado sábado, dia 7 de Novembro, em S. Pedro de Rates, no I Encontro de Hospitaleiros e Albergues do Caminho Português.

Tratou-se de um encontro de trabalho, de conhecimento pessoal e de aproximação das distintas pessoas que têm, seja como profissionais seja como voluntários, única e simplesmente um grande objectivo – Bem receber o Peregrino!

A partilha de experiências, a definição de novos rumos, de metodologias inovadoras, tendo em vista encarar com optimismo e responsabilidade a árdua tarefa que se avizinha, a partir de Janeiro de 2010, com o previsível grande aumento do número de Peregrinos, atendendo tratar-se de Ano Santo, foram preocupações muito debatidas na reunião de trabalho.

Convém aqui mencionar que o Caminho Português para Santiago de Compostela é, neste momento, depois do Caminho Francês, o mais procurado por Peregrinos e estima-se que, no próximo ano, os números possam triplicar ou quadruplicar. Refira-se que depois de 2010 só haverá Ano Santo em 2021, situação que trará, como é óbvio, muitos mais Peregrinos ao Caminho.

O Município de Ponte de Lima, consciente deste fenómeno em franca expansão e atento às mais-valias que o Caminho Português para Santiago de Compostela (e também para Fátima) significa para o Concelho, irá reforçar a sua participação neste tipo de iniciativas, evidenciando o lugar de excelência e de primordial importância que detém no contexto dos Caminhos Portugueses de Peregrinação.

Cabe aqui ainda salientar a excelente notícia da previsão de abertura de novos Albergues de Peregrinos em S. Pedro Fins de Tamel, no Caminho Central (ficando o Caminho entre o Porto e Santiago de Compostela com as estruturas mínimas indispensáveis ao longo de todo o percurso), em Marinhas – Esposende e em Viana do Castelo, estes últimos no Caminho da Costa.

Por último, na sequência da necessidade de continuar a promover este tipo de encontros, que têm obrigatoriamente de ser realizados em alturas do ano em que há menos Peregrinos, de modo a permitir a participação dos Responsáveis e Hospitaleiros, o II Encontro será levado a cabo em Ponte de Lima, numa iniciativa do Município, através do Albergue de Peregrinos, em Fevereiro próximo.”


Caminho Português – 20a Jornada: Barcelos a Vitorino de Piães

novembro 9, 2009

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Nesta etapa, o ambiente fica definitivamente galego. Cada vez mais parece que o caminho fica mais verde e com pequenos e esparsos povoados. Nossa etapa tem uns 20 km, mas os guias sugerem uma etapa até Ponte de Lima, num percurso de quase 35 km, com duas subidas no meio. Há quem consiga, mas eu não… ; ) Muito por isso, cai do céu, literalmente, a acolhida que faz Fernanda e sua família em Vitorino de Piães. Acredito que não há outra acolhida tão sincera em todo o Caminho Português, e digo mais, no Caminho Francês.

O caminho em Barcelos passa ao lado da Igreja do Senhor da Cruz, e depois de atravessar duas rodovias, continua em direção de Vila Boa, onde há uma simpática igreja, e ainda atravessa a linha férrea. A esta altura, os campos já dominam o ambiente. Passamos pela capela de São Sebastião e pela capela de Santa Cruz – já é possível também perceber que a religiosidade vai aumentando conforme nos aproximamos da Galícia.

Von Caminho de Santiago Português 2009

O caminho então alterna-se entre bosques, campos e povoados. Muito lentamente, vai-se notando um leve ascenso. Num certo momento, vê-se uma placa indicando mais uma igreja, a de Tamel São Pedro Fins, que fica a uns 400 m do caminho, que a essa altura segue uma estrada. Por uma razão que não entendo, o caminho segue essa estrada até Bouças, ao invés de passar por essa igreja, numa rua rural, que também sai em Bouças. Aqui, o ascenso já forte, e chegamos num dos pontos altos, em cujo cume está a Igreja de Portela, onde em frente há um antigo cruzeiro com um cajado e cabaça esculpidos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Depois de um pequeno trecho pela estrada, voltamos a atravessar um bosque, e por fim chegamos em Aborim, já em descenso. Passamos por uma moderna igreja, e descemos até um cruzeiro e uma árvore enorme. Mais uma vez atravessamos a linha férrea, e começamos a seguir a rua chamada Caminho de Santiago – para ninguém se perder. Há em frente um longo e verde trecho rural. Eventualmente passamos por dois curtos trechos de rodovia, para voltar novamente ao cenário rural, e finalmente chegar a um ponto simbólico deste caminho: a Ponte das Tábuas. De raízes romanas, mas de estrutura medieval, esta ponte já era citada em documentos do século XII. O relato mais antigo do caminho português, do padre italiano Confalonieri, do século XVI, também cita a ponte, aliás, relata que parou ao seu lado para descansar e comer. Aqui podemos ter certeza que estamos nos mesmos passos dos antigos peregrinos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Imediatamente após a ponte, há um pouco de confusão. Os guias indicam várias possibilidades para seguir, mas eu apenas encontrei um caminho sinalizado. A alternativa seria entrar imediatamente depois da ponte à esquerda. As flechas, porém, mandam seguir em frente. Ambos cairão na autoestrada, já no povoado de Balugães. A primeira alternativa deixa o peregrino mais perto do Santuário de N. Sra. Aparecida, que já era avistada de longe momentos antes. A segunda já sai no meio do povoado. Há uma igreja antiga no povoado, românica, mas as flechas amarelas ignoram as placas avisando da igreja. Mas não há problema de se visitar essas duas igrejas, pois não estão muito fora do caminho. Depois de Balugães, o peregrino sai novamente na autoestrada, na altura de uma fonte d’água e uma capela de São Sebastião. Aliás, há uma boa fonte no povoado, mas não há nenhum bar, assim como nas localidades anteriores. Por isso, o peregrino deve sair bem provisionado de Barcelos.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Passando a capela, onde aliás há um belo espaço para um merecido descanso, o caminho segue por uma estradinha rural até chegar em Vitorino de Piães, mais precisamente uma localidade chamada Lugar do Corgo, onde está a casa da Fernanda. Caso o peregrino queira ficar ali, e recomendo vivamente, é preciso prestar atenção, pois não há sinalização. Depois da capelinha na estrada, a casa da Fernanda fica no primeiro cruzamento com casas que se depara. O portão está sempre aberto, e caso não haja ninguém em casa, basta esperar um pouco. Acreditem, dificilmente haverá outra acolhida tão jacobea pelo resto do caminho. Fernanda, seu marido Jacinto e sua filha Mariana recebem de braços abertos os peregrinos, sem cobrar nada em troca, a não ser uma boa conversa e convivência. E fica aqui um grande abraço a esta estimada família peregrina.

Jantar peregrino na Casa da Fernanda

Jantar peregrino na Casa da Fernanda


A Virgem da Barca de Pedra

novembro 4, 2009

Não se sabe quanto, mas muito tempo se passou em que o Apóstolo Santiago tentava inutilmente converter os galegos, até que um dia, sem ânimo, sentado nas rochas da praia de Muxia, pensava seriamente em desistir e retornar à Palestina para tentar caminhos mais fáceis.

De repente, com o olhar fixo no horizonte, viu aproximar-se uma barca que parecia vir de mais além do Fim do Mundo, inexplicavelmente começou a encher-se de uma estranha alegria e quando a barca estava bem próxima se deu conta que era de pedra e que nela estava Nossa Senhora em pessoa!

A barca atravessou a margem da praia e a Virgem dirigiu-se a Santiago, dando-lhe ânimo para seguir com sua tarefa, assegurando-lhe que tanto ela quanto seu filho estariam ao seu lado nos momentos mais difíceis. Dito isso, se esfumaçou no ar, não antes de deixar como prova de sua visita, uma imagem sua e os restos da barca de pedra que a havia trazido até ali, que ficaram espalhados pela praia por muitos séculos.

O fragmento que constituía a quilha é conhecido hoje como “A Pedra dos Cadrises”. Tem fama de ser remédio seguro para os males das costa, que melhoram totalmente se o doente se arrasta pelo buraco que a pedra deixa. A outra pedra é considerada o resto da vela, a chamam de “A Pedra d’Abalar” e é uma rocha plana e oscilante que se move quando quem pisa está livre do pecado, mas que permanece firmemente agarrada as outras rochas, se quem sobe nela é pecador insensível!

A visita de Nossa Senhora devolvei o ânimo ao Apóstolo e com grande entusiasmo voltou a sua tarefa evangelizadora, conseguindo algumas conversões!

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Igreja da Virgem da Barca de Pedra

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Pedra que supostamente pertenceu à barca de Nossa Senhora


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