A lenda do galo de Barcelos

novembro 1, 2009

Há algum tempo a Laila discorreu sobre a mui conhecida lenda do galo de Santo Domingo de la Calzada (clique aqui para relembrar).

Portanto, agora que cheguei na etapa de Barcelos nas jornadas do Caminho Português, acredito que vale a pena falar da lenda do famoso galo de Barcelos, que também é um símbolo de Portugal.

Von Caminho de Santiago Português 2009

Ao que parece, há diversas lendas em diferentes cidades européias por onde passa o caminho que giram em torno do galo que cantou depois de assado. Com algumas variações, há a lenda em Toulouse, Santo Domingo, Barcelos, Utrecht, Winnenden. Todas, porém, tem base em um dos milagres de Santiago relatado no Calixtino (que vale um texto aqui depois). No século XIV já é relatada em Santo Domingo, enquanto em Barcelos a lenda é do século XVII. É uma confirmação, contudo, do passo do Caminho por Portugal.

Segue a lenda, nas palavras lusitanas diretamente saídas do sítio da internet do município de Barcelos:

“Os habitantes do Burgo andavam alarmados com um crime e, mais ainda, por não ter descoberto o autor. Certo dia, apareceu um Galego que se tornou de imediato suspeito do dito crime, visto que ainda não tinha sido encontrado o criminoso. As autoridades condais resolveram prênde-lo e, apesar dos seus juramentos de inocência, ninguém o acreditou. Ninguém julgava crível que o galego se dirigisse para Santiago de Compostela em cumprimento de uma promessa como era tradição na época, e fosse devoto fiel de S. Paulo e da Virgem Santíssima.

“Por isso foi condenado à forca. Antes de ser enforcado, pediu que o levassem à presença do juiz que o havia condenado a tal destino. A autorização foi-lhe concedida, e levaram-no à presença do dito magistrado, que nesse momento se deleitava e banqueteava com os amigos. O galego reafirmou a sua inocência, e perante a incredulidade dos presentes, apontou para um galo assado que se encontrava no centro de uma grande mesa, exclamando “É tão certo eu estar inocente, como certo é esse galo cantar quando me enforcarem“, perante gargalhadas e risos, não se fizeram esperar, mas pelo sim e pelo não, ninguém tocou no galo.

“O que parecia impossível aconteceu. Quando o peregrino estava a ser enforcado, o galo ergueu-se na mesa e cantou! Após tal acontecimento mais ninguém duvidava da inocência do Peregrino. O Juiz correu à forca e com espanto vê o pobre homem de corda ao pescoço, mas o nó lasso, impedindo o estrangulamento. O homem foi imediatamente solto e mandado em paz. Volvidos alguns anos, voltou a Barcelos e fez erguer um Monumento em louvor à Virgem e a Santiago.”

Cabe ressaltar que tal monumento em louvor à Virgem e a Santiago é um cruzeiro, que está devidamente protegido no Museu Arqueológico de Barcelos. Ao passar por Barcelos, inúmeros galos estão pela cidade, e, sabendo disso, o peregrino caminha sorridente, sabendo que está no caminho certo.

Curioso também é o fato de que o Caminho de Santiago está muito ligado à Espanha, porém um dos símbolos mais conhecidos de Portugal é justamente uma lenda jacobea.

E pra completar, um link para um post sobre essa lenda, do blogue Imaginação Ativa, muito bem escrito.

Abraços peregrinos,
Henrique


A lenda do galo de Santo Domingo

julho 30, 2009

Conta a lenda, que há muitos e muitos anos um casal de peregrinos alemães estavam fazendo o caminho com seu filho de nome Hugonell. Ao se hospedarem em Santo Domingo de la Calzada uma camareira apaixonou-se pelo jovem que era muito bonito. Como este amor não fora correspondido, a camareira, numa terrível trama, escondeu entre os pertences de Hugonell uma taça de prata.

Acusado de roubo, o jovem fora condenado a forca (pena para roubo naquela época). Seus pais, desolados, continuaram a peregrinação até Santiago, na volta pararam em Santo Domingo e para grande surpresa o rapaz ainda estava na forca, porém, inexplicavelmente vivo. Os pais dirigiram-se ao juiz que condenara Hugonell e relataram o que viram. O juiz, num ato de deboche, disse que só acreditaria que o filho deles estivesse vivo se o galo que ele estava comendo cacarejasse. E o galo cantou! O jovem foi inocentado e o milagre atribuido a Santo Domingo.

Na Catedral de Santo Domingo de la Calzada encontra-se um belíssimo galinheiro em estilo gótico, onde vivem um imponente galo e uma galinha brancos que são substituidos a cada 30 dias. Estes galos e galinhas são criados em um galinheiro mantidos pela mesma confraria que mantém o albergue de peregrinos de Santo Domingo de la Calzada (aquele que foi visitado pela rainha Sofia em 1993) e que também guarda os restos da forca utilizada para enforcar o jovem Hugonell.

Dizem que ao entrar na Catedral e o galo ou galinha cacarejarem é sinal de muita sorte!

Santo Domingo de la Calzada, “donde el gallo ha cantado mismo despues de asado”.

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