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… e o Caminho dá seus últimos passos em terras lusas. Senti um grande aperto no coração, devo admitir, pois já estava acostumado com o ritmo português, e sabia que isso iria mudar, pois a partir de Tuí a peregrinação toma um estilo diferente, imposto pela valorização do caminho feito pela Xunta de Galícia. Nada contra, mas é diferente do caminho em Portugal.
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Saímos do albergue, e ao invés de seguirmos as flechas e caminhar pela avenida dos bombeiros, simplesmente a atravessamos e subimos em direção à fortaleza. Oras, muito provavelmente o caminho seguia por ali, e não pela avenida. Por quê evitar as muralhas? Vimos um lindíssimo alvorecer, do alto das muralhas, a iluminar o rio Minho, fronteira natural entre Portugal e Espanha, com Tuí ao fundo, como se vigiando a fronteira, seu trabalho há séculos.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
Depois de atravessar a ponte internacional do Minho (antigamente a travessia era por barco) chega-se no casco antigo de Tuí, de ruelas estreitas e ambiente ainda medieval. A catedral lembra uma fortaleza, algo do gênero da igreja de Portomarin. A visita é obrigatória. Seguimos pelas ruelas, até sair da parte antiga. Passamos por mais uma ponte medieval, da Veiga, mas não a atravessamos. Em seguida, uma capelinha, e atrás dela um trecho de asfalto. O caminho segue pela estrada, a beira de uma floresta. Eventualmente entramos nela e chegamos num ponto famoso, a ponte das Febres, onde San Telmo adoeceu quando ia a Santiago (está enterrado na catedral de Tuí). Excelente ponto de descanso. Aliás, é um dos poucos pontos verdes desta etapa.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
Passamos por Ribadelouro, onde há diversos cruzeiros para a romaria de Magdalena. Há também os restos de uma ponte medieval. Em seguida, talvez o pior trecho possível para o caminhante. Longos 6 km através de um polígono industrial, que parece interminável. O próprio povoado de O Porriño não é lá muito simpático, pois está esprimido pelas indústrias e rodovias. O albergue fica à esquerda do caminho, atravessando a linha férrea e o rio Louro.
| Von Caminho de Santiago Português 2009 |
Tivemos aqui nosso pior momento, pois nos foi furtado nosso aparelho de GPS dentro do próprio albergue. Fizemos um boletim de ocorrência na polícia, que não pareceu se importar muito. O albergue é muito bem montado, mas não havia hospitaleiro ali, o que deixa todos os peregrinos à mercê de ladrões. Lamentável. Hoje eu aconselharia ao peregrino ir até Mos, uns 8 km à frente, cujo albergue é mais simpático e é cuidado pelos moradores do pequeno povoado.
Escrito por Henrique Gerken Brasil 